A nova pobreza está aí “Não te importes da raça/ Nem da cor da pele/ Ama a todos como irmãos/ E faz o bem.
Ao que vive ao teu lado/ Dá-lhe amor, dá-lhe amor/ Ao que vem de outra terra/ Dá-lhe amor”.
Foi à roda destes sentimentos, destes programas de vida caritativa que se têm desenvolvido os encontros Arciprestais da Pastoral Social e Caritativa, promovidos pela Vigararia da Pastoral Social e Caritativa e Cáritas, este ano orientadas pelo nosso Bispo, D. António Marcelino, a que já nos referimos no último número.
Esta semana os encontros decorreram em Aguada de Cima para os arciprestados de Águeda e Anadia e em Aveiro, na Sala de São Domingos, para o Arciprestado de Aveiro.
Tanto num local como noutro, as salas estavam cheias, constatando-se que a vertente social não é a face pobre dos que “ao que sofre e ao triste, dá-lhe amor, dá-lhe amor/ ao humilde e ao pobre dá-lhe amor…”
Nestas jornadas, bem entusiasmadas, tem estado em foco que na caridade de antanho ou de hoje não se faz para o meu pobre, mas deve organizar-se em conjunto com os diversos sectores em terreno, nomeadamente Cáritas, Vicentinos, Visitadores de Doentes, cadeias, hospitais, misericórdias, instituições de solidariedade. Só em conjunto, cooperando uns com os outros, se pode fazer Igreja organizada caritativamente. Também deverá funcionar a força dos vimes! Adentro das organizações há que imperar a cooperação.
A Igreja está presente em todos os cantos, caminhos, rotas, onde estiver o homem, mas os nossos esforços não se devem esgotar no assistencial, mas ir mais além, à promoção da pessoa”, referiu o nosso Bispo em Aguada, onde foi também dissecado o papel dos lares, um mal necessário para uma sociedade que cada vez quer ver mais longe os seus familiares. Neste encontro D. António sublinhou ainda o papel que a Igreja tem face ao Poder constituído. A Igreja não está neste universo de caridade em competição. Cada instituição tem o seu lugar específico que se deve complementar, porque fazer “caridade é um dever de todos e o Código do Cristão é amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos”, independentemente de credo ou cor.
Em Aveiro, com uma sala cheia de gente, de voluntários e técnicos da caridade, o nosso Bispo dissecou com maior profundidade em que consistia a caridade nos tempos de hoje, na promoção das pessoas para se tornarem mais úteis a todos.
“Numa sociedade democrática, a Igreja tem o dever de actuar, mas com o espírito cristão”, disse D. António, aludindo a um mar de gente que tão entusiasticamente trabalha neste sector da vida da sociedade. Que seria do Estado se não houvesse este oceano de gente a cuidar dos carenciados, de tudo e de todos?!
Referindo-se às instituições que proliferam por este País e nesta Diocese o Prelado da Igreja Aveirense apelou para que as “instituições tenham alma,” reforçando que “a acção social não é um proseletismo, é o dever de um carente receber o que não tem. A acção social é tão importante como fazer catequese ou celebrar os sacramentos.”
Voltando ainda à temática de lares, D. António foi peremptório: “Depositar os familiares nos lares é crime quando os poderiam ter em casa. O lar deve ser a última solução.”
Reflectindo sobre a pobreza de hoje, o nosso Bispo assinalou que ela assenta sobre o universo do desemprego em geral mas também especificamente no universo dos licenciados. “São os novos pobres de hoje. Por isso todos deveremos estar sensibilizados e actuar neste campo.”
Os doentes e idosos foram notas dominantes nestes dois encontros, com situações muito similares, acentuando-se a nota de que há necessidade, também aqui, de uma formação permanente dos agentes deste sector. Um idoso, um doente acamado ou não, tem as suas exigências humanas a que é preciso estar atento.
Encerrou o Vigário da Pastoral Social, Padre João Gonçalves, informando que está em marcha a campanha dos dez milhões de Estrelas, pela paz, a decorrer em 20 de Dezembro.
