O melhor lugar de encontro com Deus é Jesus Cristo

À Luz da Palavra – XXXII Domingo do Tempo Comum – A Neste domingo, celebraremos a Dedicação da Basílica de Latrão, a catedral do Bispo de Roma, consagrada a 9 de Novembro de 320. Como o Bispo de Roma é ao mesmo tempo o Papa, esta festa diz respeito a Igreja Católica espalhada pelo mundo inteiro e reunida na unidade sob o pastoreio do Sucessor de Pedro. A liturgia deste dia convida-nos a aprofundarmos o sentido do templo para os cristãos.

No Evangelho, vemos Jesus, que expulsa do Templo de Jerusalém os vendilhões e os animais usados para o culto: “Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio”. O gesto de Jesus, porém, vai além da crítica à exploração comercial do espaço sagrado. Questionado pelos judeus sobre a sua autoridade para fazer o que fez, diz-nos que, se o templo for destruído, Ele o erguerá em três dias. Como os judeus daquela altura, também nós podemos pensar que esta festa litúrgica nos remete aos edifícios onde nos reunimos para as celebrações. Mas o evangelista explica o que o Senhor queria expressar: “Jesus, porém, falava do templo do seu Corpo”. Aí reside a radicalidade da Boa Nova deste domingo: o lugar privilegiado para o encontro com Deus é o próprio Jesus Cristo. É na sua vida que encontramos a Deus. É no encontro com o Senhor Ressuscitado que temos acesso ao Pai.

É este encontro – comunhão – com o Senhor, especialmente na Eucaristia, que nos faz comunidade cristã, Igreja viva, Corpo de Cristo que se manifesta a toda a humanidade. Como nos recorda São Paulo, na segunda leitura: “Vós sois o edifício de Deus”. A comunidade cristã que se reúne para celebrar é o templo em que habita o Espírito Santo. É o templo que se abre para que a água – a vida de Deus – que jorra nas nossas celebrações possa chegar a todos: “E haverá vida por toda parte por onde chegar esta torrente”, lembra-nos o profeta Ezequiel. Mas para que a água que “vem do santuário”, para que a vida plena que vem de Deus chegue a muitos, o Senhor espera que os cristãos a levem àqueles que não vêm beber directamente da fonte.

Há muitos com quem convivemos no nosso dia-a-dia que procuram remédio para as suas dores (tristezas, angústias, solidão, falta de perspectiva…) e alimento para as suas vidas (esperança, entusiasmo, confiança, amor…). Na imagem apresentada na primeira leitura, é-nos dito: “À beira da torrente, nas duas margens, crescerá toda a espécie de árvores de fruto; a sua folhagem não murchará, nem acabarão os seus frutos. Todos os meses darão frutos novos, porque as águas vêm do santuário. Os frutos servirão de alimento e as folhas de remédio”. Alimentados e curados pela Eucaristia e pela Palavra, tornamo-nos verdadeiros templos de Deus, como nos diz a segunda leitura: “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”. Assim somos desafiados a levarmos a outros o que recebemos no encontro com o Senhor.

A liturgia deste domingo desafia-nos, então, a sermos verdadeiros templos de Deus: a exemplo de Jesus Cristo e animados pelo Espírito Santo, sermos “lugar” em que as pessoas possam encontrar-se com Deus. E que nas nossas vidas encontrem o Deus da esperança e do amor, o Deus próximo e acessível, o Deus da gratuidade e do perdão, o Deus de Jesus Cristo.

Leituras: Ez 47, 1-2.8-9.12; Sl 45(46), 2-3.5-6.8-9; 1Cor 3, 9c-11.16-17; Jo 2, 13-22

Priscila Cirino

Fraternidade Missionária Verbum Dei