Colaboração dos Leitores Os casos de pedofilia recentemente denunciados e vindos a público, praticados por pessoas algumas ligadas à Igreja Católica, nomeadamente padres, temos que reconhecer, abalaram as estruturas da Igreja. Até o Santo Padre não conseguiu conter a emoção.
Claro que o pecado, o crime é e deve ser sempre, mas sempre, condenado. Espero que a fé dos católicos não seja afectada por estes casos esporádicos.
Embora nós, católicos, estejamos tristes por terem eventualmente sucedido, esperamos que não voltem a acontecer.
No entanto, há sempre alguém, quanto a mim, de má fé, que aparece na boca do mundo e, utilizando todos os órgãos de comunicação social ao seu alcance, a procurar atirar a primeira pedra, na tentativa de abalar a Igreja.
A este propósito, recordo aqui e agora, a cena do julgamento da mulher pecadora, apanhada em flagrante delito, e relatada com muito pormenor no Evangelho. “Mestre”, alegam os acusadores, “segundo a nossa Lei, deve ser morta já e à pedrada”. Perante cena tão dramática, a resposta de Cristo não se fez esperar. “Quem de vós (e eram muitos) estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra”. Fugiram todos.
O Senhor condenou e condena severamente o pecado e o crime, mas não abandona a pessoa, não esquecendo também a vítima, caso tenha sido objectivamente maltratada.
Como disse um conhecido colunista, “a Igreja é a única instituição a que se assacam responsabilidades pelo acontecido há 1500 anos, há 500 anos ou há 100 anos. Os cristãos actuais são criticados pela inquisição do século XVII, missionação ultramarina desde o século XV, cruzadas, até pela política do século V (veja-se o recente filme Ágora).
O ataque à Igreja é uma constante histórica: Claro que a história passa, muda. A Igreja permanece porque ela é Cristo, Bem-aventurados sereis quando vos insultarem e perseguirem (MT 5,11)”. Escreveu João César das Neves.
Mas um outro opinador foi mais além “Para a nova inquisição laica nada é suficiente: exigem histericamente que a hierarquia católica admita, o que já admitiu, peça desculpas, que já pediu, castigue quem já foi castigado e deixe de reivindicar um foro especial que já não reivindica”. Estou a citar o historiador Rui Ramos.
Há até dois escritores (americanos) que pretendem processar criminalmente o Papa! Hoje tudo é possível na cabeça de alguns iluminados!…
Quem estiver sem pecado atire-lhe a primeira pedra!
Claro que o crime seja ele praticado por quem for é sempre condenável e deve ser severamente condenado. Para isso, existem os tribunais civis que o julgarão sendo caso disso. Se o crime for praticado por alguma pessoa ligada à Igreja Católica, a Igreja também tem meios para os tratar e julgar, mas com muita ponderação e certo rigor, devidamente fundamentado e nunca na praça pública.
Há que ter bem presente que nem todas as religiões defendem os direitos humanos em absoluto, mas a Igreja Católica do século XXI defende-os, e a sério.
Lamento que haja eventualmente cléri-gos que não tenham sido capazes de cumprir o que solenemente prometeram perante Deus e perante os homens.
Errar é humano, mas nem sempre é desculpa. Também estou ao lado e acompanho em espírito e com muita mágoa as vítimas de alegados actos, a todos os títulos condenáveis. São crimes que bradam aos céus!…
Mas repito – quem estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra.
Basílio de Oliveira
