José Alves, presidente da Cáritas Diocesana: A Cáritas Diocesana tem por objectivo “a realização da acção social e caritativa da Diocese”. Segundo os estatutos, tal finalidade passa por “acções de apoio às camadas mais carecidas da população, de modo a tornarem-se as principais promotoras da sua própria valorização” e pela “renovação das estruturas, de modo que estas estejam ao serviço do desenvolvimento integral do ser humano”, entre outras dimensões. Nesta segunda página sobre serviços e grupos de acção social, conheça a instituição que assume integralmente as várias dimensões da caridade. Na foto: Sessão sobre saúde do projecto Novas Sendas.
Correio do Vouga – Em seu entender, qual a actividade mais importante que a Cáritas desenvolve actualmente?
Dic. José Alves – Todas são importantes. Não posso destacar nenhuma. Enumero as sete principais:
1. O Serviço de Atendimento Social, que inclui apoio à alimentação, vestuário, medicamentos, habitação e até viagens, para uma consulta médica, por exemplo. É o nosso primeiro dever: “Dar de comer a quem tem fome”. Este serviço preocupa-se também em ajudar as pessoas a procurarem trabalho ou a obterem os subsídios a que têm direito, como o rendimento mínimo ou o subsídio de desemprego.
2. O Centro de Alojamento temporário, que dispõe de 10 lugares para homens sem abrigo – está sempre lotado – mais dois lugares em pensão, para senhoras.
3. O Espaço Mulher, que desde Abril de 2006 atendeu 29 casos de violência doméstica.
4. O Centro de Acolhimento Temporário, em Esgueira, que aco-lhe 18 crianças em situação de risco.
5. Creche, jardim-escola e ATL, com 80 crianças, em Esgueira, servindo uma zona de populações desfavorecidas.
6. O projecto Novas Sendas, que muito tem feito pela comunidade de Ervideiros (Esgueira/Cacia), que inclui uma grande comunidade cigana. Entre outras acções, este projecto desenvolve 10 cursos de formação profissional.
7. Grupos Cáritas paroquiais, que prestam serviços juntos das diversas comunidades.
Quais as grandes dificuldades com que a Cáritas se debate?
Sentimos uma grande necessidade na área dos sem abrigo. Há muitas necessidades, mas poucas condições físicas para lhes responder. Verifica-se um aumento de pessoas nestas condições.
Preocupa-me, também, o fim do Projecto Novas Sendas, em Dezembro de 2007. O caminho desbravado está sujeito a ficar cheio de silvas. Estamos em diálogo com os outros parceiros, como a Junta de Freguesia de Esgueira e a Segurança Social, para que haja continuidade.
Sinto, igualmente, que há um défice em relação aos grupos Cáritas paroquiais. Temos com eles duas reuniões anuais (uma alargada e outra com coordenadores) e prestamos apoio consoante as necessidades, na forma de verbas ou técnicos, mas há um longo caminho a percorrer no campo da formação.
Que aspecto positivo sublinha na missão da Cáritas?
Sentimos que há muito a fazer, mas não podemos ir mais além por falta de financiamento. A par da gestão muito cuidada dos recursos, há muita entrega das pessoas que aqui trabalham. Funcionários e voluntários estão imbuídos de um espírito de dádiva que é muito positivo.
José Ferreira Alves, 54 anos, casado, pai de dois filhos, é presidente da Cáritas Diocesana desde Setembro de 2004. Depois de uma carreira militar como pára-quedista, em que atingiu a patente de major (em 2000 ainda saltava de pára-quedas), foi ordenado diácono em 1999. Agora tem como missão dirigir a organização caritativa mais importante da Diocese de Aveiro. Além de José Alves, que preside, a direcção da Cáritas é constituída por um secretário, um tesoureiro e quatro vogais. O Pe João Gonçalves é o assistente eclesiástico. Nenhum é remunerado pelo cargo que ocupa.
Números da Cáritas
40
funcionários nas várias valências da Cáritas Diocesana.
20
voluntários que colaboram regularmente com a Cáritas em serviços como o do roupeiro, na monitorização do espaço dos computadores, ou no Centro de Acolhimento Temporário. Há, ainda, um grande grupo de colaboradores pon-tuais, entre os quais se destacam os vicentinos e os escuteiros.
1,3
milhões de euros que a Cáritas movimentou em 2006. Esta quantia provém dos acordos com a Segurança Social, do financiamento dos projectos, de donativos das pessoas e empresas, dos peditórios, de acordos e protocolos (destaca-se o estabelecido com a câma-ra aveirense) e de campanhas pontuais.
2000
atendimentos que a Cáritas faz ao longo de um ano, na sua sede no Serviço de Atendimento Social (SAT), o que dá uma média de 8 pessoas por dia útil.
1500
euros que a Cáritas gasta por mês, em média, no apoio à compra de medica-mentos, através do SAT.
50
grupos de Cáritas paroquiais, o que significa que estão presentes em metade das paróquias da Diocese de Aveiro.
102
mil euros recolhidos pela Cáritas na sequência do tsunami de Dezembro de 2004. Esta quantia foi canalizada para a Cáritas Portuguesa.
29
mil euros que rendeu o último peditório anual (em Março de 2007: peditório de rua mais peditórios paroquiais).
Grandes Datas da Cáritas
No rescaldo da Segunda Guerra Mundial, surge uma estrutura que acolhe crianças austríacas, órfãs da guerra, e as distribui por famílias da região de Aveiro.
1956 – Surge a Comissão Diocesana da “União de Caridade Portuguesa – Cáritas”, que se dedica ao apoio social.
1976 (2 de dezembro) – É instituída a Cáritas Diocesana.
1983 (31 de Outubro) – Aprovação dos actuais estatutos, que afirmam: “A Cáritas Diocesana tem por objectivo a realização da acção social e caritativa da Diocese”, devendo “promover, orientar e coordenar a Comunicação Cristã de bens em todas as suas forma e ajudar a promoção e o desenvolvimento integral de todos os homens”.
1990 – Criação do Centro de Acolhimento Temporário, para crianças em situação de risco.
2000 – Criação do Centro de Alojamento Temporário, para pessoas sem abrigo, em emergência social e passantes.
2003-2007 – Projecto Senda Gitana e Novas Sendas, na comunidade de Ervideiros (Esgueira), que inclui um grande comunidade cigana.
2005 – Apoio às famílias de Corgo de Baixo (Avelãs de Cima), após os incêndios que destruíram as habitações de quatro famílias.
2006 – Criação do “Espaço Mulher”, para informar, apoiar e acompanhar mulheres vítimas de violência doméstica.
