Canonização de S. João da Cruz teve contributo da cidade S. João da Cruz contou com a colaboração de pessoas de Aveiro no seu processo de canonização. A revelação foi feita na quinta-feira, no novo convento carmelita de Aveiro, que após a inauguração de 3 de Abril de 2005 tem vindo a promover uma série de serões abertos à comunidade sobre a vida carmelita e a sua presença nesta região.
Disse Jeremias Vechina, padre carmelita da comunidade de Fátima, que a maior parte dos 33 testemunhos do processo que foi concluído em Coimbra, no dia 28 de Maio de 1715, era de pessoas de Aveiro, que nessa altura fazia parte do bispado de Coimbra. Porquê tanta admiração pelo santo espanhol? “Cada vez que é atacado pelas febres tercianas, implora o auxílio dele e, pela imposição da sua imagem, consegue a cura”, refere um escrito da época, citado pelo carmelita.
Contra as febres
S. João da Cruz era o preferido pelo povo para curar as febres do paludismo e de outras doenças provocadas pelos mosquitos que grassavam na região. O místico que ardia em amor divino curava as febres corporais.
As águas do rio Vouga criaram um imenso pântano, devido ao fecho da Barra por acumulação de areias. Com o pântano vieram os mosquitos. E com os mosquitos, as doenças e a morte. Aveiro tinha 14 mil habitantes no ano de 1572, para ter 10 mil em 1685 e apenas 3 500 em 1797, relatou Pe. Vechina.
É neste contexto que o santo carmelita é invocado. No processo de canonização de Coimbra (o único que corre em Portugal), João da Cruz é já referido como “o santo de Aveiro”.
No serão de quinta-feira, interveio ainda Sousa Pereira, colaborador do autor da estátua à entrada do novo convento, o portuense José Rodrigues. Frei João Costa, superior da comunidade carmelita, explicou o significado da estátua (ver imagem e legendas).
Os serões de abertura do Carmelo à comunidade prosseguem no dia 28 de Maio, às 21h, com as intervenções de Alves Alpoim Portugal, provincial dos carmelitas até Abril de 2005, e Amaro Neves. O tema é “Um convento na Cidade”.
J.P.F.
Perfil de S. João da Cruz
Juan de Yepes nasceu em 1542, em Fontiveros (Ávila), e ingressou no convento carmelita de Medina del Campo, depois de ter passado pelos jesuítas dessa cidade. Estudou em Salamanca e foi ordenado em 1567. Colaborou com Santa Teresa de Ávila na reforma do Carmelo. Esteve nove meses preso, sem ver a luz do dia, por ordem dos superiores carmelitas, que não concordavam com a renovação da ordem. Nessa altura compôs e fixou na memória obras como o famoso “Cântico Espiritual”. Em liberdade, foi director espiritual, renovou e fundou conventos. Morreu 1591, quando se pretendia enviá-lo para o exílio no México. Foi beatificado em 1675, canonizado em 1726 e proclamado Doutor da Igreja em 1926.
As “Poesias Completas” de S. João da Cruz, em tradução de José Bento, estão editadas na Assírio & Alvim.
