O padre é propriedade exclusiva de Deus

Ordenações de diácono e padre A Sé de Aveiro encheu-se de fiéis, na tarde de domingo, para rezar e testemunhar a imposição das mãos de D. António Marcelino sobre João Miguel Araújo Alves, ordenado padre, e João Paulo Soares Henriques, ordenado diácono

Proclamada a Parábola dos Talentos, o Bispo de Aveiro sublinhou na homilia a fidelidade do servo que os faz render. “Porque foste fiel nas coisas pequenas, vou confiar-te as grandes”, disse, citando o Evangelho, para, a seguir, afirmar que “os talentos do padre são da Igreja; a Igreja tem o direito de receber estes talentos concedidos”.

D. António Marcelino delineou uma identidade sacerdotal alicerçada na identificação com Cristo e na “expropriação do padre por Deus”: “Jamais a vida do padre, nos seus êxitos, fracassos, realizações, se pode entender à margem das palavras de Jesus: «Não foste tu que me escolheste; fui Eu que te escolhi»”. “Não se é padre para si mesmo, nem por mérito próprio”. “O padre é um expropriado por Deus. Exclusivamente seu. O amor, a dedicação, a ajuda que [as pessoas] prestam ao padre só têm um sentido: ajudá-lo a ser propriedade exclusiva de Deus”, afirmou o Bispo de Aveiro.

Semana dos Seminários

No último dia da Semana dos Seminários, a preocupação pelas vocações mereceu uma atenção especial. D. António realçou a mediação da Igreja, “fundamental para o presente e futuro das vocações”. Essa mediação expressa-se pela oração, esclarecimento da fé, atenção às necessidades das pessoas e clima de simpatia estimulante na acção educativa que abre à generosidade e ao acolhimento do apelo de Deus. Por outro lado, o Bispo de Aveiro observou que os padres andam sobrecarregados, para a idade e saúde que têm, e que o seu cansaço “dificilmente suscita novas vocações”, não deixando de apontar uma crítica a alguns cristãos “mais exigentes que colaboradores, mais críticos que generosos, mais à procura de coisas secundárias do que essenciais”. “São tempos – diz o Bispo de Aveiro – de grande desafio à fé cristã. Só uma fé esclarecida é capaz de ser generosa; só uma fé forte é capaz de compromisso; só uma fé humilde é capaz de tirar forças para fundamentar a aventura da entrega total e irreversível aos outros”.

D. António deixou ainda uma palavra para o Seminário, a “instituição mais amada e mais capaz de suscitar a esperança”, embora alguns, olhando-o “com olhos mais humanos do que de fé, o amem talvez menos”. “O Seminário, com muitos ou poucos alunos é sinal visível de uma graça que nos ultrapassa”, disse.

Quanto mais de Deus, mais da família

Porque o padre é exclusivamente de Deus, é motivo de fé para si próprio, e, “quanto mais de Deus, mais dos pais”, disse D. António Marcelino, no final da celebração, dirigindo-se aos pais dos recém-ordenados.

O diácono João Paulo Soares Henriques, de Estarreja, está no último ano do curso de teologia, em Coimbra, e colabora na paróquia da Glória, Aveiro. O padre João Alves presidirá à Missa Nova, no próximo domingo, 20 de Novembro, às 10h30, na sua terra, Cacia. À tarde, às 16h, presidirá à Eucaristia na paróquia de S. Salvador, Ílhavo, onde está colocado.