“O Papa é o presidente da religião”

Recolha de opiniões sobre a visita de Vento XVI a Portugal. Ninguém se opõe. Alguma indiferença. E boas memórias de João Paulo II

Bispo de Roma, Vigário de Jesus Cristo, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Sumo Pontífice da Igrejas Universal, Primaz da Itália Arcebispo Metropolita da Província Roma e Soberano do Estado da Cidade do Vaticano. Estes são os títulos e funções do Papa (na origem, está a palavra grega “pappas”, tratamento infantil dado ao pai), segundo o anuário pontifício.

Mas o que pensa o cidadão comum do Papa e, concretamente, de Bento XVI, que por estes dias visita o nosso país? O Correio do Vouga saiu à rua e interrogou transeuntes sobre o Papa, Bento XVI e a viagem apostólica a Portugal. Quase sempre foi inevitável a comparação entre Bento XVI e o seu antecessor, João Paulo II.

Rosa, de Oliveira do Bairro, não aprecia o actual Papa: “Não é pessoa com quem eu simpatize muito. Simpatizava muito mais com o outro. Este acho-o arrogante, menos simpático”. Por isso, sente-se indiferente quanto à sua visita a Portugal.

Já António, de Santiago, Aveiro, embora gostasse mais “do outro”, acha bem que este venha a Portugal e vai seguir as notícias pela televisão.

Orquídea, também de Aveiro, sente que a visita será importante para o país. “Penso que vai transmitir uma energia positiva para este país que anda muito em baixo. Vai trazer uma lufada de ar fresco; só tenho pena que o tempo esteja muito frio”, afirma. Como a comparação com João Paulo II é inevitável, acrescenta: “Não conheço o pensamento de Bento XVI. Gostava mais do outro Papa, até já tenho comentado isso com pessoas amigas. Havia mais paz. Este tem um olhar mais distante”. “Se calhar, a altura também é diferente, há uma crise maior”, justifica.

O Papa vai incentivar o turismo

O único declaradamente não crente neste mini-inquérito de rua pensa que “é bom ter um símbolo da religião católica em Portugal”. Rui, de Fafe, à partida não queria dar a sua opinião – “não sou crente, por isso, é capaz de não ser a melhor” –, mas como todas as opiniões contribuem para uma imagem, acaba por referir que a visita pode ser importante para os crentes. Isso “nada” o incomoda. E para o país em geral, há vantagens na visita? “Só se trouxer mais investimentos para Fátima por causa das pessoas que lá vão”, remata com alguma ironia.

Manuela Proença, de Esgueira, “católica, mas não praticante”, também vê o “incentivo do turismo” como o aspecto mais importante da visita. “Não é por ele vir cá que as coisas vão mudar”, defende. Quer dizer que todos os papas lhe são indiferentes? “Não, falava-me mais o João Paulo II”, afirma.

Cristina Ferreira, de Aveiro, vai acompanhar a visita à distância. “Sou católica e costumo ir a Fátima. Não me é indiferente a vinda do Papa. Vou acompanhá-la pela televisão”. Acrescenta ainda: “Não sou contra este. Este Papa também é bom”.

Os papas são pessoas “muito exemplares”

E os jovens? Nesta incursão pelas ruas de Aveiro, este semanário cruzou-se com três, todos católicos. Jessica Lourenço, de Oliveira do Bairro, mal se lembra de João Paulo II, pelo que não tem “qualquer preferência”. Mas pensa que a visita é importante. “Fica um país melhor, mais prestigiado”.

Marcelo, da Gafanha da Nazaré, é o único dos interrogados que diz ter pensado em ir ver o Papa ao vivo, mas só vai ver pela televisão. “É uma boa comemoração. Concordo com a sua vinda. É uma pessoa importante. Cheguei a pensar em ir ver o Papa. Tanto este como o outro, sempre os achei duas pessoas muito exemplares”, diz.

Juliana, da Quinta do Picado, Aveiro, pensa que a visita é “boa para fomentar o catolicismo em Portugal”, mas considera que “poucas pessoas acreditam em Deus”. “Os brasileiros e outros povos acreditam mais; a esses países é que o Papa devia ir”, afirma, ignorando que o Papa já visitou o Brasil. “Não sei se vale a pena o papa vir cá”, adianta. Como católica que é, vai, contudo, espera acompanhar as notícias de Bento XVI: “Gosto de estar a par do mundo. O Papa é o presidente da religião. É quem manda”.

Jorge Pires Ferreira