Pela primeira vez fora da Europa, Bento XVI canoniza o primeiro santo brasileiro e abre os trabalhos da reunião mais importante dos bispos da América Latina.
Bento XVI inicia hoje a viagem apostólica ao Brasil. Trata-se da primeira viagem do seu pontificado fora da Europa. O Papa presidirá, em Aparecida, à abertura dos trabalhos da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, que decorrem de 13 a 31 de Maio. Desta reunião magna, Bento XVI espera “frutos abundantes, para que todos os cristãos se sintam verdadeiros discípulos de Cristo, enviados por Ele para evangelizar os seus irmãos com a palavra divina e com o testemunho da própria vida”.
Ponto alto da viagem é igualmente a canonização de Frei António de Sant’Anna Galvão. Será em São Paulo, no dia 11 de Maio. O primeiro encontro em terras de Vera Cruz, logo no dia 10, será com jovens, no Estádio Pacaembu (São Paulo).
Apesar de Bento XVI apenas visitar fisicamente as dioceses de Aparecida e São Paulo, a viagem apostólica “não concerne apenas às duas dioceses, mas abrange o Brasil inteiro, todas as comunidades eclesiais da América Latina e do Caribe e a Igreja universal”, afirma a Santa Sé, na apresentação do programa da viagem no ‘site’ www. vatican.va.
Primeiro santo brasileiro
António de Sant’Ana Galvão, franciscano, filho de um emigrante português, nasceu em Guaratinguetá (1739), numa família abastada, e morreu em São Paulo (23 de Dezembro de 1822). Tendo iniciado estudos nos jesuítas, concluiu a sua formação nos franciscanos e foi ordenado sacerdote em 1762.
“A vida de Frei Galvão foi marcada pela fidelidade à sua consagração como sacerdote e religioso franciscano, e por uma devoção particular e uma dedicação total à Imaculada Conceição, como ‘filho e escravo perpétuo’. Além dos cargos que ocupou dentro da sua Ordem e na Ordem Terceira Franciscana, é conhecido sobretudo como fundador e guia do Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecido como ‘Mosteiro da Luz’, do qual tiveram origem outros nove mosteiros. Além de Fundador, Frei Galvão foi também o projectista e construtor do Mosteiro que as Nações Unidas declararam Património cultural da humanidade”, lê-se na nota biográfica apresentada no site do Vaticano.
Em 1798, o Senado de São Paulo definiu-o como “homem da paz e da caridade”, porque era conhecido e procurado por todos como conselheiro e confessor, além de o franciscano que aliviava e curava os doentes e os pobres, no silêncio da noite.
Com quinhentos anos de história, o Brasil pode finalmente apresentar ao mundo o seu primeiro santo.
J.P.F.
