À Luz da Palavra – 3º Domingo do Tempo Comum – Ano C A liturgia da Palavra coloca-nos diante do livro da nossa fé, a Bíblia. Ela contém a maioria dos Sinais de Deus, através dos quais Ele se torna presente no meio do seu povo. É em torno desta Palavra que se constrói a nossa experiência cristã. Para isso, é importante que os cristãos e as cristãs aceitem três princípios fundamentais: tornar-se próximo do tempo e do espaço em que os acontecimentos bíblicos se desenrolam, assim como da comunidade na qual e para a qual o texto foi escrito; perceber que a Palavra é uma realidade que continua a actuar na his-tória; e ler a Palavra em Igreja, isto é, aceitar que a Palavra dá vida à Igreja, e que só em comunidade eclesial podemos perceber o sentido que a Palavra tem.
A primeira leitura apresenta um cenário que evoca uma celebração da Palavra, digna e solene. Toda a comunidade é convocada para escutar a Palavra: homens, mulheres e crianças, pois que ela foi escrita para todos. Entretanto, os responsáveis da Palavra preparam a sua proclamação: colocam um estrado para o leitor, abrem solenemente o Livro, enquanto todos se levantam em atitude de respeito e veneração. Depois da aclamação da Palavra, feita pela assembleia, os levitas lêem clara e distintamente, após o que se procede a uma explicação da Palavra lida. O povo, confrontado com a Palavra, chora, mostrando que foi interpelado pela Palavra que caiu no seu coração. Que acolhimento dou eu à Palavra de Deus, quando a leio ou ouço ler?
No evangelho, Lucas anuncia-nos que Jesus Cristo é a verdadeira Palavra, porque revela na sua própria Pessoa toda a ternura do amor de Deus e o seu projecto para a humanidade. Também Jesus abre o Livro e lê a profecia, que agora vai ser actualizada pela sua mediação. Ungido pelo Espírito, anuncia a Boa Nova aos pobres, proclama a redenção aos cativos, dá vista aos cegos, restitui a liberdade aos oprimidos, proclama o ano da graça do Senhor. Este projecto libertador de Jesus ainda hoje não está finalizado. Mais ainda, no nosso mundo multiplicam-se e perfilam-se novas formas de opressão e de violência. Onde está a força da Palavra que impregna o coração e o agir dos cristãos e das cristãs? Estaremos nós sensíveis à nossa missão libertadora, no seguimento de Cristo? A fidelidade ao caminho que Ele percorreu é a exigência fundamental do ser cristão e cristã. Tenho consciência disso?
A segunda leitura apresenta uma lista de “carismas” por ordem de importância. Paulo dá prioridade aos carismas de “apóstolo”, “profeta” e “doutor”, porque estes dizem respeito ao estudo e anúncio da Palavra. Assim como a Bíblia nasceu da vida do Povo da Aliança, também hoje a comunidade crente nasce da Palavra, da sua leitura orante e da interpelação que esta lhe faz. Que lugar dou eu à Palavra de Deus na minha vida e na minha acção cristã e pastoral? Considero-a fundamental? É nela que me apoio para as minhas opções de vida e de acção? Sinto-me co-responsável da Palavra na formação da comunidade cristã?
Leituras do 3º Domingo do Tempo Comum – Ano C: Ne 8,2-4a.5-6.8-10; Sl 19 (18 B); 2 Cor 12,12-30; Lc 1,1-4; 4,14-21
Deolinda Serralheiro
