O pop/rock cristão é imprescindível para a Igreja

O Festival Jota, na sua terceira edição, sai da Guarda para realizar-se em Aveiro, na Praia de S. Jacinto, de 24 a 26 de Julho. O evento pretende afirmar-se como o maior acontecimento musical de inspiração católica em Portugal. O Correio do Vouga falou com o P.e Jorge Castela, director da Pastoral Juvenil da diocese da Guarda, mentor da Banta Jota e do festival

CV – O Festival Jota sai do interior para o litoral… Pretende assumir uma dimensão nacional?

P.e Jorge Castela – Queremos, sim, que tome outras proporções e chegue a outras pessoas. Se o fizermos em Aveiro, pelo menos a gente de Aveiro tem esta oportunidade. Mas queremos desenvolver parcerias com os outros secretariados diocesanos de pastoral juvenil que existem no país. Nós [Banda Jota e Pastoral Juvenil da Guarda], estando como entidade promotora, deixamos que sejam outros a organizar. Nós ficamos com a direcção artística do festival, que é aquilo em que nos sentimos melhor, mas deixamos a logística e a direcção geral para a diocese que acolhe. Este ano candidatou-se a Diocese de Aveiro e o festival terá lugar em São Jacinto, com concertos, actividades, fóruns, oração, convívio e workshops.

Como padre, é importante para si esta música “pop/rock cristão?”

Padre ou não, é muito importante. Não só é útil como é imprescindível, neste momento da vida da Igreja. Tanto que se fala da nova evangelização… A nova evangelização passa por novos métodos, novas pedagogias. Esta é uma delas. A música é um veículo de transmissão de mensagens do melhor que existe, se não a utilizarmos dentro da nossa igreja, estamos errados. Claro que para isso é preciso tempo, disponibilidade e tratar desta música com o máximo de qualidade. Se a desprestigiarmos ou se pensarmos que é uma categoria menor dentro da música, nunca conseguimos que tenha relevo, nem que as pessoas a ela se dediquem a tempo inteiro. Não há condições para que cresça se não acreditarmos nela.

E como é que se acredita nesta música?

Muito simples do ponto de vista individual: ouvindo-a, usando-as nos grupos para meditação e outras dinâmicas, executando-a nos encontros de jovens, indo a concertos de pop cristão, comprando CD em vez de pirateá-los, comprando ao menos um CD para o grupo, organizando eventos deste tipo…

Com este tipo de música, os cantores e os grupos querem evangelizar… O P.e Jorge Castela e a Banda Jota têm resultados práticos do uso desta música?

É sempre difícil avaliar os resultados neste campo, porque só Deus é que sabe. Mas o feedback do que temos feito é muito bom. As pessoas dizem-nos que conseguem rezar com as nossas músicas. Há animadores que as usam para evangelizar. Vemos pessoas tocadas nos nossos concertos ou com choro ou com outras manifestações que dão para deitar cá para fora o que sentem o momento. Em termos de caminhada de fé, cada um é que saberá. Em termos de primeiro anúncio, primeira evangelização, temos conseguido grandes resultados.

Depois de “Abraços”, quando sai um novo disco da banda Jota?

Estamos a prepará-lo. Ainda não posso divulgar o nome, mas tem 13 temas, um deles é o hino do Festival de Aveiro. Outro é uma canção ligada à vida, um tema elaborado na altura do referendo ao aborto. O álbum terá também um bónus, mas é surpresa.