D. Norberto Amaral, Bispo de Maliana (Timor-Leste), passou por Aveiro no dia 24 de setembro, vindo de Roma, onde esteve com o Papa e com outros bispos recém-ordenados, e depois de ter ido ao Santuário de Fátima. O Correio do Vouga “apanhou-o” quando visitava a Sé de Aveiro com D. António Francisco, Mons. João Gaspar, o pároco de Sé e mais alguns sacerdotes. D. Norberto Amaral foi ordenado bispo em 24 de abril de 2010, três meses após a criação da diocese de Maliana, a terceira de Timor-Leste.
O Sr. Bispo dedica alguns dias a visitar os seus irmãos bispos em Portugal. Antes, esteve em Fátima, para consagrar a sua diocese. Porquê em Fátima?
A consagração é muito importante porque somos uma diocese nova. Na diocese de Maliana, necessitamos não só de ajuda material mas principalmente de ajuda espiritual, para construir o reino espiritual, segundo o mandato de Jesus. Estive em Roma, num curso no Colégio de São Paulo, duas semanas, e depois tive mais uns dias para conhecer Roma, nomeadamente as grandes basílicas. Vim a Portugal com o objetivo de consagrar a diocese a Nossa Senhora, pois o povo de Timor tem uma grande devoção por Nossa Senhora de Fátima.
Durante o domínio da Indonésia, um período muito difícil, a Nossa Senhora foi sempre um meio de conforto para viver e aguentar a situação. Fizemos muitas peregrinações e vivemos um ano mariano que nos deu alento para que não perdêssemos a coragem de um dia virmos a ser uma nação. E assim aconteceu com o referendo de 1999 e a restauração em 2002.
Como é a sua diocese, a mais nova de Timor, criada em 30 de janeiro de 2010?
Temos dez paróquias. Somos 16 padres diocesanos e 23 religiosos, 39 ao todo. A grande dificuldade está no aceso às paróquias da montanha. É muito difícil porque não há estradas. Sou o primeiro bispo de Manliana, que tem 265 mil habitantes. 263 mil são católicos. Não temos protestantes nem muçulmanos. Todos são católicos, isto é, dizem-se católicos. Viemos da situação de domínio da Indonésia. Devido ao medo da islamização da ilha, todos se tornaram católicos, mesmo sem prática convicta. Muito precisam de uma preparação adequada para compreender o que é ser católico. Traçámos um plano pastoral para cinco ano e estamos concentrados numa espécie de reevangelização. No primeiro ano, estivemos focados nas estruturas paroquiais e diocesanas. O segundo é dedicado à família.
Referiu as dificuldades de deslocação na sua diocese e as estruturas diocesanas. A diocese de Maliana está bem servida?
Não. Como foi criada em 2010, tem, de facto, poucas condições. Não temos Sé, não temos residência nem espaços para a cúria nem um escritório adequado para trabalhar. A Sé é uma igreja paroquial, criada em 77 ou 78, no tempo da Indonésia, com poucas condições. Felizmente, com a ajuda do governo, já conseguimos construir um espaço para os encontros dos padres.
É a primeira vez que está em Portugal?
Não, é a terceira. Em 1998 estive em Lisboa e em Braga. Em 2005, depois de estudar em Roma, no regresso, passei por Coimbra.
Agora, dedicou tempo a visitar os seus irmãos no episcopado…
É muito importante, estando eu à frente de uma igreja nova, sem experiência de governo. Preciso de criar condições, de falar com colegas, irmãos na fé, ouvir as suas experiências. Este contacto é importante para mim, para aprender o governo pastoral e para saber que estamos unidos na mesma fé.
