Revisitar o Magistério Fizemos um conjunto de abordagens e reflexões sobre o Bispo, preparando a transmissão das responsabilidades pastorais na Diocese de Aveiro. Sabemos que a Igreja é a comunhão dos fiéis em Cristo e não apenas uma estrutura hierárquica. Todavia, essa comunhão é orgânica: o tecido ministerial ordenado é estruturante dessa comunhão. E da saúde e comunhão desse tecido depende o vigor, a vitalidade de toda a comunhão eclesial, sob o influxo permanente do Espírito Santo.
Propomo-nos agora, a partir do Directório para o Ministério e a Vida dos Presbíteros (DMVP), enunciar alguns princípios e deixar algumas reflexões como estímulo para consolidar esse tecido ministerial ordenado. E começamos mesmo pelas referências à articulação hierárquica do presbítero.
“A comunhão como característica do sacerdócio funda-se na unicidade da Cabeça, Pastor e Esposo da Igreja, que é Cristo.
…«Não existe ministério sacerdotal senão na comunhão com o Sumo Pontífice e com o Colégio Episcopal e de modo particular com o próprio Bispo diocesano, aos quais se deve guardar ‘filial respeito e obediência’ prometidos no rito da ordenação»” (DMVP).
Este excerto, citado da exortação apostólica Pastores Dabo Vobis (28), deixa claro que o sacerdócio ministerial é sacramento do único Sacerdócio – o de Cristo. E não é uma “distribuição” individual desse serviço. “Trata-se, portanto, duma comunhão hierárquica, isto é, duma comunhão na qual a hierarquia se apresenta interiormente estruturada” (DMVP 22).
Entre pessoas humanas, cristãos e ministros ordenados, não se concebe uma hierarquia que seja dominação, anulação, subserviência. Ela é, pelo contrário, a estima mútua, afectuosa, a interajuda, a complementaridade, a corresponsabilidade, dialogadas, esclarecidas, o acolhimento dos dons diversos, a fidelidade aos compromissos.
Esse é, hoje, um testemunho de credibilidade insubstituível. “Todo o presbítero deve ter um profundo, humilde e filial vínculo de caridade com a pessoa do Santo Padre e aderir ao ministério petrino de magistério, de santificação e de governo, com docilidade exemplar.
Mediante a fidelidade e o serviço à autoridade do Bispo próprio, realizará a comunhão requerida pelo exercício do seu ministério sacerdotal. (…)
No pleno respeito da subordinação hierárquica, o presbítero tornar-se-á promotor dum relacionamento franco, vivo e filial com o seu Bispo, assinalado por uma confiança sincera, por uma amizade cordial, por um verdadeiro esforço de conformidade e convergência ideal e programática no espírito duma inteligente capacidade de iniciativa e de coragem pastoral” (DMVP 24).
Estas palavras seguramente que nos fazem reflectir a nós, presbíteros; acolhidas com inteligência e espírito eclesial, não deixarão de desencadear atitudes consequentes, com benefício para a nossa saúde espiritual, para o ânimo apostólico do Bispo da Diocese, para a caminhada de comunhão de toda a Comunidade.
