Denunciou a
Natureza maligna
do capitalismo
financeiro
1. As encíclicas sobre a esperança e a caridade: a fé precisa da razão porque a razão explica, desdobra, as razões da esperança e da caridade;
2. A renúncia inesperada, uma decisão histórica que marcará doravante o governo da Igreja e as suas relações com outras confissões cristãs;
3. Ter desagradado a ‘progressistas’ e a ‘tradicionalistas’;
4. Ter acabado com o encobrimento das redes de pederastia dentro da Igreja;
5. Ter denunciado a natureza maligna do capitalismo financeiro;
6. Ter insistido na necessidade de anunciar a fé como busca da verdade, através do lógos, na sua integralidade, discurso e razão.
Belmiro Fernandes Pereira
Papa
surpreendente
Bento XVI foi uma Papa surpreendente. Foi uma surpresa a sua eleição, foi uma surpresa a pessoa que se foi revelando e foi surpreendente a sua resignação. Constantemente nos foi “trocando as voltas”! Para mim, cada vez mais o vejo como alguém profundamente livre porque se colocou totalmente nas mãos de Deus, o que se é possível a quem muito ama. Isso revela-se na sua simplicidade, na firmeza das suas atitudes e na grandeza dos seus ensinamentos que soam como “música” aos nossos ouvidos. Fico com a imagem de um papa extraordinariamente inteligente que se preocupou em defender sempre que a “arte de viver”, a “sabedoria de vida”, está em colocar a razão ao serviço do amor.
Elisa Urbano, diretora do Secretariado Diocesano do Ensino Religioso nas Escolas
Servidor da Igreja,
mas incapaz
de a reformar
Do Pontificado de Bento XVI realço algumas opções, concordantes e discordantes:
1. A procura da Verdade no diálogo entre a fé, a razão e a cultura. O Papa Bento XVI, na linha teológica que o define, procurou mostrar que só a Verdade é capaz de libertar e tornou isso visível, seja no caso da pedofilia, nas relações ecuménicas e interconfessionais, assim como na condenação de ideologias relativistas e individualistas que põem em causa a Verdade como valor absoluto. Procurou ter a fé, a esperança e a caridade como realidades essenciais da vida cristã, mas que se evidenciam no mundo da cultura e da evangelização e que são, ao mesmo tempo, um desafio ao discurso racional.
2. Foi incapaz de estabelecer reformas essenciais, quer na Cúria Romana, quer no diálogo sempre tenso entre Magistério e Teologia. A sua tentativa de comunhão em repropor o rito de S. Pio V à Igreja trouxe mais divisão interna na vida dos presbitérios e dioceses, alimentando-se “espiritualidades” e entendimentos da Igreja e do Concílio Vaticano II que estavam escondidos. O ano sacerdotal convocado trouxe poucos resultados a uma reflexão necessário de redefinição do perfil do presbítero. Dos encontros que tive com o Santo Padre, sinto que não foi capaz de ultrapassar o estilo formal e curial de relação que lhe era imposto pelo “protocolo”, acentuando-se uma certa sacralidade do ministério exercido, quer pela “intocabilidade” no sucessor de Pedro, como pelas opções estético-litúrgicas que, apesar da beleza, não são mais que a recuperação de um certo tradicionalismo majestático, em nada transparente com a atitude da Igreja no tempo presente.
Penso que o Papa foi verdadeiramente um servidor da Igreja, incapaz de a reformar para que ela seja cada vez mais rosto de serviço.
João Alves, padre, reitor do Seminário de Santa Joana – Aveiro
