O que é mais importante e gratificante num doutoramento?

Inquérito A última semana foi celebrada em todo o país como “Semana da Ciência e Tecnologia”. O Correio do Vouga interrogou duas cientistas recém-doutoradas, não sobre as descobertas feitas (difíceis de entender para o cidadão comum), mas sobre o significado do trabalho desenvolvido. Raquel Silva defendeu a tese “Reconstrução molecular de uma alteração ao código genético”, na área da Biologia, enquanto Ana Dias investigou sobre “Propriedades Termodinâmicas de Misturas Líquidas Substituintes do Sangue”, na área da Química. Ambos os doutoramentos foram feitos na Universidade de Aveiro.

Raquel Monteiro Silva, 28 anos, Vagueira

Fazer um doutoramento ensina-nos a acreditar em nós e a procurar ser cada vez melhor, a expandir os nossos limites. Ser cientista, ou investigador, é um caminho difícil que se vai trilhando por etapas, mas sem realmente ser concluído, pois queremos sempre saber mais, ir mais além.

É gratificante, a nível pessoal e profissional, pensar que contribuímos de algum modo para o progresso do conhecimento e, com ele, ajudamos a construir um mundo melhor, uma sociedade mais evoluída e tolerante.

Ana Dias, 27 anos, Aveiro

O mas importante num doutoramento é contribuir de alguma forma para o bem-estar comum. Claro que, quando este objectivo é atingido, um resultado paralelo é a satisfação e valorização pessoal de quem se atreveu a entrar nesse caminho. O mais gratificante para mim é a liberdade de seguir a própria curiosidade, desenvolvendo capacidades de avaliação, persistência, orientação e organização, no meio de muitas surpresas (boas e más). E, no fim de tudo, encontrar num outro qualquer canto do mundo alguém que se interessa pelo que fizemos, pelo “tempo que perdemos”, e que se mostra interessado em discutir, a maior parte das vezes de forma construtiva, o resultado do nosso trabalho.