O leitor pergunta (continuação)
6 – Os credos declarativos do itinerário catecumenal desenvolvem o esquema interrogativo do rito do baptismo. Aparecem como “regras de fé” das Igrejas locais, como resumos a fazer conhecer aos candidatos à iniciação cristã. Não são exposições completas; são o coração do Evangelho. De uma série de credos declarativos das Igrejas do Ocidente – sécs. IV a VI – surge o Credo dos Apóstolos, ligeiramente diferente do vetus Romanum.
7 – Este conteúdo de fé vem a tomar o nome de Símbolo dos Apóstolos – é o resumo do núcleo da pregação apostólica. O símbolo é como que um puzzle de duas peças. Cada peça é essencial para que se entenda a outra e o conjunto. Aquele que adere a Jesus Cristo e, nEle, à Igreja, apresenta uma peça do puzzle, ao dizer o Símbolo dos Apóstolos: manifesta-se como fiel que é. E, por outro lado, entende-se como discípulo de Jesus Cristo na referência a uma Comunidade – a outra peça do puzzle – que proclama a mesma fé. Assim, a proclamação da fé identifica-nos como discípulos de Jesus Cristo e mem-bros da mesma Igreja. O Símbolo é, pois, a referência de pertença. O “creio” é reconhecimento e expressão, por cada um, da pessoa comum que é a Igreja!
8 – O Credo de Niceia (ano de 325) alterou, de algum modo, a função da profissão de fé. Apresenta-se como um desenvolvi-mento teológico, para toda a Igreja, como “regra de fé”, que exclua certos erros. Passa a ser mais uma expressão de ortodoxia colegial, manifestação da fidelidade dos bispos, do que expressão de fé pessoal e referência de pertença. E acabou por se tornar critério de comunhão das Igrejas e ponto de partida para posteriores precisões dogmáticas. Tem, pois, um inegável valor de coesão doutrinal.
9 – Este Credo passou à Eucaristia, durante largo tempo dito em latim, e em detrimento do Símbolo dos Apóstolos. A sua estrutura e linguagem não são, de modo algum, de fácil compreensão, para o comum dos fiéis. Entre nós tornou-se objecto de estudo no 5º ano do Ramo Nacional de Catequese.
A reforma litúrgica do Vaticano II repôs a possibilidade do uso do Símbolo dos Apóstolos; e pode usar-se também a forma baptismal interrogativa, em circunstâncias que o aconselhem. Todavia, o facto de não vir em primeiro lugar, deixa o Símbolo dos Apóstolos meio esquecido.
Recomendam-se ao leitor os números 185 a 197 do Catecismo da Igreja Católica; e os vocábulos “credo”, “símbolos da fé”, na recente Enciclopédia Católica Popular, de D. Manuel Franco Falcão.
Querubim Silva
