A Igreja sempre esteve atenta ao sector das comunicações sociais, conforme podemos constatar pelos variadíssimos documentos do Magistério da Igreja. Exemplo disso é o facto de que a única celebração mundial estabelecida pelo Concílio Vaticano II é o dia mundial das comunicações sociais, marcada, na maioria dos países, por indicação do episcopado local, para o domingo precedente ao Pentecostes.
De igual modo, o interesse pelas novas tecnologias, nomeadamente pela Internet, não podia ser deixado para segundo plano. Podemos constatar que a Igreja tem declarado com frequência a sua convicção de que eles são, em conformidade com as palavras do Concílio Vaticano II, «maravilhosas invenções técnicas», como nos diz o Decreto Conciliar “Inter mirífica”. Referiu ainda na “Communio et progressio”, que “a Igreja encara estes meios de comunicação social como “dons de Deus”, na medida em que, segundo a intenção providencial, criam laços de solidariedade entre os homens, pondo-se assim ao serviço da Sua vontade salvífica”. Se olharmos para a história da comunicação do ponto de vista eclesial, ela parece-se com uma longa peregrinação que encaminha a humanidade “desde o projecto de Babel, baseado no orgulho, que acabou na confusão e incompreensão recíproca a que deu origem (cf. Gn 11,1-9), até ao Pentecostes e ao dom de falar diversas línguas, quando se dá a restauração da comunicação, baseada em Jesus, através da acção do Espírito Santo”, escreve João Paulo II na mensagem para o XXXIV Dia Mundial das Comunicações.
É no Verbo feito carne que “se encontra o fundamento e o protótipo da comunicação entre os homens” – está escrito na instrução pastoral sobre os meios de comunicação social “Communio et progressio”.
Na sociedade actual, tudo isto que foi referido é válido de uma forma especial no que diz respeito à Internet, dado que ela está a contribuir para uma mudança sem precedentes ao nível da educação, da política, da economia, ou seja, da sociedade em geral, mudanças estas que se manifestam não somente ao nível da comunicação individual, mas mesmo na forma como as pessoas vêem a sua própria vida.
Fernando Cassola Marques
