II Fim-de-semana Franciscano congregou quatro dezenas de jovens à volta de temas como a “crise da Igreja” e a “nova música cristã”.
“Não há uma nova música na Igreja. Sempre se cantou e cantarolou. Mas tem crescido uma espécie de música de inspiração católica, isto é, feita por artistas católicos”, afirmou o P.e Jorge Castela, líder da Banda Jota, responsável pela pastoral juvenil na diocese da Guarda e promotor do Festival Jota, o primeiro festival de música de inspiração cristã, mas de roupagem pop e rock. O sacerdote falava no II Fim-de-Semana Franciscano que no Seminário de Aveiro, no sábado passado, juntou quatro dezenas de jovens em reflexão sobre temáticas eclesiais.
Entre cânticos, depoimentos de cantores cristãos em vídeo e promoção de CD de música de inspiração católica, o sacerdote da Guarda afirmou que o rock, pop, hip hop ou outro género de música acrescentado com o qualificativo “cristão” ajudam a fazer “a primeira conversão”, mas servem principalmente “para perceber que ser de Cristo é muito bom”. “Às vezes somos cristão porque, olha, fomos baptizados. E crismámo-nos porque, olha, queremos ser padrinhos. E casámo-nos porque, olha, é gira a cerimónia. Falta a paixão por Jesus Cristo. Esta música ajuda-nos a fazer conversão”, afirmou aos jovens, deixando alguns conselhos para promoverem este tipo de música: comprar CD (individualmente ou em grupo), em vez de pirateá-los, de grupos e cantores como a Banda Jota, o grupo Simplus, P.e João Paulo Vaz ou Claudine Pinheiro; utilizar a música nos encontros juvenis; obrigar as rádios a passar; participar em festivais; visitar “sites” católicos que têm este tipo de música…
A última intervenção do encontro foi da responsabilidade de D. António Marcelino, sobre o tema “Igreja em crise ou crise na Igreja?” Durante a manhã falara-se de S. Francisco e S. Paulo como pilares da Igreja e da participação na Eucaristia. Sobre o último tema, o Bispo emérito de Aveiro disse ao Correio do Vouga que “a crise na Igreja é um estado normal. As mudanças obrigam necessariamente a encontrar novas soluções, novas respostas, novos modos de comunicação. É preciso encontrá-las”. Sendo crise “fundamentalmente de evangelização”, a Igreja leva dentro de si própria a solução, que passa sempre pelo aprofundamento do Evangelho.
Miguel Cabral, estudante de Medicina em Coimbra e animador do Giofrater, o grupo da juventude franciscana que organizou o encontro, quase no final, fez a este jornal um balanço positivo da iniciativa, embora esperasse mais participantes do que os 40 que estiveram no Seminário de Santa Joana. No entanto, a reflexão e o convívio durante o encontro contribuíram para a “elevada satisfação” dos jovens que participaram nesta iniciativa que vai na segunda edição e é para continuar.
J.P.F.
