O segredo do êxito é transformar as dificuldades em força

Fernando António de Oliveira Batista, 37 anos, lança no dia 7 de Novembro o livro “Sucesso na Escola, Êxito na Vida” (ed. Salesianas). O evento terá lugar no Salão Paroquial de Vagos, às 16h. Ao Correio do Vouga, este professor de Educação Moral e Religiosa Católica, em Vagos, fala da importância do esforço, da auto-estima e da persistência para alcançar bons resultados. Sem esquecer que é preciso “trabalhar todas as áreas da vida, inclusive a espiritual”

CORREIO DO VOUGA – Qual é o segredo para alcançar o sucesso na escola e o êxito na vida, somo sugere o título do seu livro? Pode apontar algumas dicas?

FERNANDO BAPTISTA – Tudo começa pelo “é possível”? Se a resposta for “sim”, basta querer, acreditar e colocar pés a caminho para melhorar. Alguns jovens nem colocam a si próprios esta questão. As respostas são primeiramente “eu não sou capaz, não quero, não é para mim”. Esta abertura à possibilidade serve para melhorar a auto-estima, que vai possibilitar trabalhar uma mudança nas atitudes face à vida, que por sua vez ajudam a criar hábitos, que por sua vez vão criando novas e melhores expectativas.

A força de vontade será só um início, concretizando-se em técnicas. As suas propostas são exequíveis? Foram testadas? Tem resultados práticos que possa apresentar?

As técnicas aqui apresentadas já foram usadas por mim na melhoria do rendimento escolar de alunos desde o terceiro ano que dou aulas. A cada ano vou aperfeiçoando e adaptando as ferramentas. Já assisti ao aumento de auto-estima de uma aluna, que assim deixou de ter negativas e neste ano está a trabalhar para tirar médias acima de 17. Com diversos alunos, a gestão de tempo efectiva funcionou lindamente. Passaram a levantar-se em cinco minutos, a ver menos televisão à noite, a fazer diversas tarefas em momentos diferentes, e isto fez toda a diferença. Um bom pequeno-almoço tem reflexos directos no rendimento escolar, no que diz respeito a uma maior concentração no primeiro bloco da manhã. Quem chega a casa e tem oportunidade de estudar logo sem se preocupar com outras tarefas, tem mais facilidade em se recordar da matéria dada nesse dia e de a estudar melhor. Tenho diversos casos de alunos que já obtiveram as notas a que se propuseram e de encarregados de Educação que referiram que os seus educandos estavam diferentes – para melhor.

É professor de EMRC, disciplina em que os valores da cooperação e da solidariedade são mais importantes do que o da competição e do sucesso. O seu livro não corre o risco de enviar uma mensagem contrária ao que ensina?

Este livro ensina aos alunos que se querem triunfar na vida devem trabalhar todas as áreas da tua vida, inclusive a espiritual.

Para triunfar é necessário ser bom profissional e ser boa pessoa. Faço referência à ecologia do ser humano, isto é, o que fazem deve estar de acordo com os valores. Não ir contra a própria pessoa, não ir contra o próximo, nem contra a natureza, nem, claro, contra Deus. Como estudar é trabalhar e como o trabalho santifica, este manual tem aí a sua razão de existir.

Mas insisto, a mensagem do sucesso e do êxito na escola não induzirá os jovens à competição?

Com este livro não quero reduzir o trabalho do aluno simplesmente a alcançar o sucesso escolar. Desejo, sim, que sejam bons seres humanos e que a sua vida seja pautada por valores. Precisamos de bons cidadãos nas lideranças da sociedade.

Não será igualmente necessário um treino para o fracasso? Para assumir os erros, para aprender com os falhanços?

Este livro também trabalha os obstáculos e a aprendizagem com os erros. O segredo é transformar as dificuldades em força. Se não conseguirem à primeira, voltem a tentar novamente. Voltem a tentar quantas vezes forem necessárias. Quantas vezes tentaram para começar a andar? Pensam em desistir alguma vez? Digo sempre que o importante é tentar e ter a flexibilidade suficiente para voltar a tentar as vezes que forem necessárias.

Escolheu como autor do prefácio do livro Paulo Azevedo (que nasceu sem mãos nem pés, actor de novelas e autor do livro “Uma vida normal”). Porquê?

Tudo começou com uma palestra que ele deu na minha escola. Conheci um jovem cheio de energia, uma pessoa de sucesso e que teve de trabalhar o dobro dos outros para alcançar os mesmos resultados. Nunca desistiu e nunca se viu como uma vítima, o que ajuda os outros a não o verem com vítima.

É “coach” (“treinador”) de jovens. Em que consiste esse trabalho?

Consiste fundamentalmente na orien-tação de jovens. A escuta atenta é a pri-meira grande ferramenta. Quando tenho a oportunidade de falar, pego sempre em palavras proferidas pelo aluno e com base nelas vou questionando o aluno de forma sistemática e levo-o a ser ele a dar as respostas. Quem melhor do que a própria pessoa para se conhecer e saber o que lhe está a faltar e a forma como há-de encontar a resolução para determidada situação? Também faço consultoria, dando ferramentas para o aluno trabalhar.

Tem desenvolvido acções de risoterapia. Quais as vantagens de rir?

Trabalho com risoterapia porque encontrei aqui uma ferramenta para a judar ao sucesso escolar dos alunos. Como professor de EMRC, estou na escola para ser um apoio para os alunos. Esta técnica de humor ajuda-nos a rir com os outros e não dos outros. É o contrário de algum humor que infelizmente vemos nas televisões, que se aproveita das fragilidades dos outros para os rebaixar.

As vantagens de rir são imensas. Esta técnica alivia de sintomas de stress, desgaste e ansiedade, proporciona relaxa-mento físico e mental, aumenta a energia e a resistência ao stress, ajuda a melhorar problemas cardiovasculares e respiratórios, previne estados depressivos, melhora o desempenho a nível pessoal e profissional, incrementa a produtividade e ajuda a reduzir o absentismo, enriquece a qualidade e o equilíbrio entre vida e trabalho, aumenta a criatividade e o humor, dá mais entusiasmo à vida, proporciona sensação de bem-estar durante todo o dia. Aprendemos a trazer um sorriso na nossa cara, potencia a colaboração e a entreajuda, reduz a agressividade e o potencial de conflitos entre as pessoas, favorece as relações humanas, familiares e entre amigos.

Como é que tem utilizado esta técnica em âmbito escolar?

Estou ainda a preparar uma intervenção planeada no âmbito escolar. Através de sessões para alunos, pais e professores, tenciono ajudar no favorecimento das relações humanas e no aproveitamento escolar.

Entrevista conduzida por

Jorge Pires Ferreira