Semana dos Seminários 2006, de 12 a 19 de Novembro A Semana dos Seminários faz-nos pensar no Seminário concreto que a Diocese ama e não pode deixar de amar, porque ele será sempre um sinal visível da confiança que Deus deposita em nós, e mostra que nunca desistirá de levar a bom termo o Seu projecto de um amor que salva.
Embora o nosso Seminário de Aveiro seja aquela casa linda e artística, agora restaurada, que sempre honrará a Diocese, levando-nos longe na gratidão para com o seu Fundador, o Senhor Dom João Evangelista de Lima Vidal, e para com a generosidade, sem medida, do povo cristão e dos aveirenses, não é dele que eu falo agora, ao referir o amor diário e aberto da Igreja Diocesana ao seu Seminário.
Falo do Seminário vivo, os nossos seminaristas, da certeza que nos vão revelando, da esperança que nos transmitem, da abertura diária que eles vivem, como um desafio ante um projecto que os ultrapassa e que, sendo pessoal, não é apenas de cada um, mas também, e sobretudo, projecto do Deus que lho vai revelando como expressão de que confia e, por isso, espera, pacientemente, a hora do fruto amadurecido, que é a sua resposta consciente, generosa, livre e agradecida.
São poucos os nossos seminaristas, 10 no Seminário e poucos mais no Pré-Seminário. Por certo, por não merecermos mais ou por não fazermos quanto podemos para que Deus mostre maior benevolência para connosco. Porém, cada um vale por si próprio e vai amadurecendo, no silêncio do seu coração, a capacidade de poder dizer em breve: “Senhor, Tu sabes que Te amo”… “Eis-me aqui, envia-me.”
Nada mais livre, nem mais libertador, que a compreensão e a aceitação de um projecto que nos ultrapassa, mas que não se realiza em nós, sem que nós o queiramos.
Que maravilha alguém sentir-se dom voluntário para a felicidade dos outros, porque sentiu antes que Deus é dom inestimável para si próprio!
Cada paróquia é convidada, diariamente, a viver a alegria e a gratidão do seu ou dos seus seminaristas e, se não os tem, a interrogar-se sobre as razões, pois as vocações são fruto de uma comunidade verdadeiramente cristã. A Igreja Diocesana é convidada a participar na caminhada dos seus futuros padres, que, desde já, ela mesma considera como seus e, por isso mesmo, os estimula e apoia com a sua oração, os ajuda na sua formação com as suas dádivas, os acolhe como sinal da sua esperança.
O amor aos seus seminaristas é, em cada Diocese, condição indispensável para que possa amar, apreciar e ajudar os seus padres, presentes e futuros.
A Semana dos Seminários será assim, para todos nós, porque Deus nos chamou à vida, à fé e, segundo a medida de cada um, a colaborar com Ele no plano salvador, um momento de tomada de consciência dos Seus dons e de fidelidade responsável em relação ao chamamento que foi e continua a ser feito a cada um de nós.
Esta Semana dos Seminários coincide com um tempo de espera e de expectativa em relação ao novo Bispo eleito para a nossa Diocese, também ele um apaixonado pela causa das vocações. Que ao chegar, ele nos encontre a todos nós, presbíteros, diáconos, consagrados, leigos, jovens, pais e educadores, serviços e movimentos diocesanos, com grande generosidade e esclarecida consciência, empenhados na mesma causa, que será sempre, para que possa realizar a sua missão no mundo, a grande causa da Igreja.
António Marcelino,
Bispo e Administrador Apostólico da Diocese
