Protocolo entre a Câmara Municipal de Aveiro e a instituição de solidariedade As obras das Florinhas do Vouga, paradas há alguns anos devido à falta de verba, vão finalmente avançar. No sábado passado, foi assinado um protocolo entre esta instituição particular de solidariedade social e a Câmara Municipal de Aveiro, em que a autarquia se compromete a contribuir com 8500 euros mensais, durante dez anos – o que permitirá levar a bom termo a fase dos acabamentos.
Para o presidente da Câmara de Aveiro, este protocolo, permitindo a conclusão das obras, vem resolver “um incómodo na consciência de todos, um impasse de cidadania”. Alberto Souto reconheceu, na sessão de assinatura do protocolo, que decorreu durante um jantar de angariação de fundos que juntou centena e meia de amigos, o “ trabalho notável de 65 anos”, que permite que na cidade de Aveiro haja “menos fracturas e menos rupturas” sociais. “Se nos orgulhamos de viver na cidade de Aveiro, também se deve à acção das Florinhas do Vouga e à sua capacidade de absorver gente que precisa de gestos de carinho e atenção”, disse.
Por seu turno, o Pe João Gonçalves, presidente da direcção das Florinhas do Vouga, realçou que “dez anos é tempo de mais para uma obra”. Porém, agora, “mais do que de esperanças, é tempo de certezas”. E espera ver o edifício concluído em breve. “Se [a Câmara Municipal] se abalançou em tão grande compromisso, é porque confia em nós. Não queremos defraudar as expectativas que deposita em nós”, afirmou.
Alberto Souto, que disse aos presentes no jantar que o protocolo constituía “um milagre”, explicou ao Correio do Vouga a “triangulação financeira” que permite que as obras comecem e não sofram interrupções enquanto não estiverem concluídas: “A ideia foi conseguir de uma entidade bancária a importância necessária para conseguir acabar as obras, sem estarmos dependentes das vicissitudes ou apenas da boa vontade. Com esta prestação mensal de amortização da dívida ao longo de dez anos, as Florinhas não têm encargos financeiros. É um risco calculado para a Câmara. Não representa um grande encargo para nós, mas representa um grande lucro social para Aveiro. Operações semelhantes de triangulação já foram usadas para a construção de poli-desportivos”. Alberto Souto referiu ainda que a decisão teve a unanimidade do executivo municipal: “Todos se congratulam pela solução encontrada, que acaba com o impasse, um incómodo de cidadania que a todos perturbava”.
Novo edifício acaba
com uma “grande trapalhada”
A instituição Florinhas do Vouga foi fundada em 6 de Outubro de 1940 por D. João Evangelista de Lima Vidal, primeiro Bispo de Aveiro após a restauração da diocese (ver pág. 2). Actualmente a instituição funciona em dez edifícios espalhados pela cidade, o que constitui, nas palavras do Pe João Gonçalves, “uma grande trapalhada para todos”, devido à multiplicação de funções, consumos, deslocações… As novas instalações vão ter creche (novidade – 53 utentes), jardim de infância (80 utentes) e ATL (80 utentes) e deverão estar concluídas dentro de dois anos. O concurso para a última fase deverá sair por estes dias no Diário da República.
Apesar do novo edifício vir a congregar vários serviços, continuará a existir no Bairro de Santiago o Centro Comunitário, com valências como a Cozinha Social e o Apoio Domiciliário, o ATL Meninarte (para crianças da rua) ou a Equipa de Integração Comunitária (animação sócio-económica).
As comemorações dos 65 anos da instituição, iniciadas na semana passada, prosseguem no dia 17 de Setembro, com um churrasco aberto à comunidade e barraquinhas de comes e bebes, e no dia 8 de Ou-tubro, com Missa na Sé, um jantar de amigos, dirigentes e funcionários, uma exposição de fotografias e um leilão de angariação de fundos.
