Confirmados vestígios arqueológicos medievais Os trabalhos arqueológicos efectuados na capela de Santo Amaro, em Estarreja, confirmaram a existência de um templo primitivo anterior ao actual, com a descoberta dos antigos alicerces, e ainda de sepulturas e objectos pré-históricos.
Agora que os trabalhos arqueológicos estão praticamente concluídos, podem avançar as previstas obras de restauro da capela, que foram suspensas devido à descoberta, em finais de 2002, de sepulturas medievais, tanto no interior como no adro do templo, e ainda de um machado de pedra polida e de uma lâmina de sílex, datada da Idade do Cobre e que terá cerca de quatro mil anos. Por isso, tudo aponta para que a capela reabra ao público no dia 15 de Janeiro, data da feira anual de Santo Amaro, que se realiza no terreiro envolvente.
Os resultados dos trabalhos arqueológicos foram recentemente apresentados, tendo sido confirmada a descoberta dos alicerces quase integrais de um templo anterior ao actual, de ossadas em cerca de meia centena de sepulturas escavadas na rocha, de três imagens de santos em pedra de Ançã. Para além dos referidos objectos pré-históricos. Por isso, a equipa responsável pelos trabalhos arqueológicos propõe que a recuperação da capela preveja a sua musealização, nomeadamente com a colocação de um piso em vidro, de modo a permitir a visão dos alicerces e sepulturas medievais, e ainda a exposição dos objectos encontrados e de placas informativas.
Os trabalhos arqueológicos, que custaram perto de dez mil euros, ficarão concluídos com a publicação de um livro sobre o que foi realizado e descoberto no local, o qual será publicado durante o próximo ano. A par disso, vão prosseguir os estudos antropológicos, com base nos esqueletos e ossadas encontradas, para se poder conhecer melhor os povos que habitaram essa zona em tempos mais recuados.
A actual capela data do início do século dezoito, e ergue-se no alto de um pequeno monte, num local conhecido por Crasto. As descobertas arqueológicas agora ocorridas poderão esclarecer algo sobre a origem desse nome, topónimo geralmente associado a lugares onde existiram antigos povoamentos castrejos.
C. F.
