Obras na área histórica do Museu de Aveiro só se a sociedade civil exigir

A sociedade civil aveirense tem de intervir e de conjugar esforços para que se avance com o restauro das zonas históricas do antigo Convento de Jesus, uma vez que essa área ficou fora da intervenção projectada pelo arquitecto Alcino Soutinho, realçou a directora do Museu de Aveiro, Ana Margarida Ferreira.

Na zona histórica do antigo convento, nomeadamente igreja, capelas, claustro principal, coro alto e refeitório, as obras em curso só contemplam trabalhos na rede eléctrica e cablagens, pelo que falta toda uma intervenção de fundo no que se refere à conservação desses espaços, tanto no que se refere ao edifício em si, como também aos motivos decorativos, talhas, azulejos, mobiliário e colecções. É para este trabalho, que será caro e demorado, que Ana Margarida Ferreira pede o empenho da sociedade aveirense, de modo a conseguir os fundos financeiros necessários para se avançar com esse projecto.

O projecto do arquitecto Alcino Soutinho, cujas obras deverão estar concluídas até ao início do próximo Verão, contemplou a zona “não histórica” do antigo convento, bem como a construção de uma nova ala, no local do antigo parque infantil. As obras “modernizaram” completamente o interior da área conventual intervencionada, tornando-a mais funcional em termos de museu, e criando melhores condições de conservação das colecções e de trabalho para os funcionários, com a colocação dos sistemas de climatização, de controlo de humidade.

Quando se faz uma obra desta dimensão há sempre a tomada de opções que implicam alterações que não agradam a todos. Isso aconteceu com as obras no Museu de Aveiro, que apesar de tornarem o espaço interior mais convidativo em termos museológicos, com novos circuitos expositivos e novas valências, alteraram significativamente a característica mais “conventual” do espaço interior da zona “não histórica” do edifício.

Foi essa contestação ao novo “Museu de Aveiro”, levantada sobretudo por Maria do Rosário Fardilha, que motivou essa visita guiada ao museu, incluindo aos espaços ainda em obras e à zona histórica do edifício, áreas ainda não abertas ao público.

Cardoso Ferreira

Vestígios arqueológicos

Os vestígios arqueológicos encontrados nas recentes obras do museu, com especial destaque para os restos de edificações anteriores ao edifício conventual postos a descoberto no interior do antigo refeitório, deveriam ser valorizados no circuito visitável do museu, defenderam alguns dos participantes na visita guiada.

Essa valorização poderia ser concretizada com a colocação de um piso em vidro sobre essas ruínas, permitindo que os visitantes as pudessem ver, ou tornando-as acessíveis a investigadores e estudiosos. Esse processo ocorre em inúmeros espaços monumentais, tanto em Portugal como no estrangeiro.

Custos insuportáveis de energia

Ana Margarida Ferreira lamenta que o projecto arquitectónico não tenha previsto a climatização passiva do edifício. A directora do Museu de Aveiro considera que, por isso, no futuro, os custos energéticos provocados pelos sistemas de climatização e de desumidificação do edifício serão “insuportáveis” para o orçamento do museu.