Obrigado, Padre Messias, por tudo o que fizeste por onde andaste!

Padre Messias no Acolhimento “O Senhor jurou e não se arrependerá”

“Elevarei o cálice da salvação e oferecerei um sacrifício de louvor, porque Cristo, sacerdote eterno (…) ofereceu pão e vinho…” ( Sl 109)

Estava eu na Assembleia Eucarística de corpo presente do Padre Messias (1924-2005), presidida pelo Bispo da Diocese, D. António Marcelino, na Igreja Paroquial de Calvão, com grande parte do presbitério, diáconos e cristãos, quando o salmo e antífona pairaram sobre o meu intelecto e desceram ao coração em gotas de hossanas, de aleluias, de agradecimento por tudo o que vai fazendo aos homens, através doutros homens revestidos de um serviço que é para todos, independentemente de credos, ideologias, cores e raças. O padre é o que se dá sem nenhuma reserva de latitudes ou horizontes, aquele que é capaz de elevar o cálice da salvação, a salvação do homem em toda a sua dimensão, tal como acontece a outros ministros. Este cálice só o bebe ou o mastiga quem o saboreia, fitando a cruz redentora ou a ressurreição da vida. Saboreai e vede…

Muitas vezes saboreei esta reflexão com o senhor Padre Messias Hipólito da Rocha, ao longo de mais de 40 anos. E saboreámos o cálice da mesma maneira, embora com gostos, porventura, diferentes; mas o mesmo vinho e mesmo pão nos alimentava e dava forças para prosseguirmos a caminhada. Padre Messias já chegou a Emaús…

Padre Messias viveu bem as três dimensões: a Liturgia, a Cate-quética e a Social.

Na liturgia, lembro-me que foi um inovador, um entusiasta das reformas da Igreja pós-Concílio Vaticano II. E ainda ninguém sonhava em Ministros Extraordinários da Comunhão já ele, numa celebração Eucarística, na Igreja da Vera Cruz, onde ajudou também o Pároco de então, Padre Fernandes, ousou chamar da Assembleia uma jovem madura para ir dar a sagrada comunhão. Outros gestos de inovação foi fazendo, discretamente, sem dar nas vistas. É que sair dos “cânones”, nessa época, era arriscado, como ainda hoje o é em certas correntes eclesiásticas.

Na catequética, como Pároco da Glória, e na movimentação que se implantou na Diocese, incentivou a formação de catequistas com minicursos catequéticos.

Na pastoral social, sem grandes alardes, sem grandes códigos ou estatutos, batia à porta de quem precisava, fosse rico ou pobre ou pedinte. Não fez grandes obras de “vista”, mas fez obras de coração, de porta a porta.

Um sacerdote desta Diocese definiu assim este Sacerdote com a palavra ACOLHIMENTO.

Chegado eu a Aveiro, vindo de terras Onde os Lobos Uivam, do Malhadinhas, depois de ter deambulado alguns anos por terras da Estepe Alentejana, foi ele o primeiro sacerdote a colocar a residência paroquial à minha disposição. Passei a ser mais um, a juntar aos padres jovens que por ali iam fazendo o escrutínio. Como residente da casa de todos, como ele chamava, conheci, na catequese que ambos ministrávamos, a Celeste, minha esposa.

Foi ali que alimentei a ânsia de partilhar, acolher!

Aprendi com o Padre Messias por onde ele andou: Ílhavo, como coadjutor; Borralha, como primeiro Pároco; Funchal, ao serviço da Diocese, em tempo de D. Francisco Santana; no Stella Maris, Obra do Mar, que Messias Hipólito ajudou a dar os primeiros passos, ou em São Bernardo, antes do dinâmico Padre Félix, ou ainda como orientador e formador de consciências no Seminário de Santa Joana.

Obrigado, Padre Messias, por tudo o que fizeste por onde andaste!

Diácono Daniel Rodrigues