Oiã: Justa homenagem ao Padre Abel

Natural de Barrô, o P.e Abel serviu Oiã durante mais de meio século. Oianenses homenageiam um dos seus maiores párocos.

A Comissão Paroquial de Cultura, que integra o Conselho da Fábrica da igreja de Oiã, vai homenagear o padre Abel Gomes da Conceição Silva, natural de Barrô, no próximo dia 30 de Outubro, evento integrado nas festas do padroeiro, S. Simão.

As razões são essencialmente duas: os 150 anos de nascimento (10 de Abril de 1861) desta figura marcante de uma época, que soube congregar vontades e continuar as obras da igreja matriz e acabá-las com todo o esplendor interior e o facto de ocorrerem, este ano, os 110 anos sobre a bênção e inauguração do templo (28 de Outubro de 1901), com grandes solenidades, pelo bispo de Coimbra, D. Manuel Correia de Pina. Uma terceira, e não a menor, prende-se com uma questão de justiça e gratidão. Hoje ninguém imagina a igreja de Oiã despida de todas as peças de arte nela expostas, para louvor de Deus e fruição dos homens – o retábulo imponente e magnífico e respectivo camarim do altar-mor, e os retábulos das duas capelas laterais, o cadeiral e todos os quadros e trípticos da capela-mor, tudo tão valioso e rico que o IGESPAR mostra todo o interesse em integrar a igreja de Oiã no lote dos monumentos nacionais. Assunto que já foi à reunião do Conselho da Fábrica para uma análise profunda de prós e contras… Pois todo este magnífico “recheio” se deve ao padre Abel que soube bem valer-se das amizades e influências (até políticas).

Dando voz à memória, será assim feita a justiça, que tardava, a um dos párocos maiores que serviu a comunidade de Oiã, durante mais de meio século. Em todos os campos.

A homenagem chegou a estar projectada para Abril, mas o bispo de Aveiro, D. António Francisco Santos não tinha disponibilidade de agenda. Assim, ficou adiada para este dia 30 de Outubro, com um programa simples, mas nem por isso menos significativo.

A homenagem consubstancia-se no descerramento de um monumento, às 15 horas, logo à entrada do Largo de S. Simão, em pedra de Ançã (por sinal, utilizada no degrau que existia ao arco cruzeiro e agora com as obras na capela-mor, prestes a terminar, teve de ser retirado); no descerramento no átrio do Centro Paroquial não só da fotografia do Padre Abel, mas também da foto do cónego José de Mello, que foi quem iniciou as obras, exactamente no ano em que Portugal entrava em bancarrota (1892), mas, falecendo muito novo, não viu subir as paredes. Também não deixa de ter justificação. Pessoa muito bondosa, natural de Águeda, segundo notícias da época, a sua morte causou uma enorme onde de consternação. Segue-se uma sessão solene no Centro Paroquial, programada da seguinte forma: actuação do Grupo Ensemble vocal do Orfeão de Barrô, dirigido pelo jovem e competente maestro, Sérgio de Brito; palestra do historiador, Dr. Amaro Neves, versando o tema “A talha dourada da igreja de Oiã – o Culto e a Arte”; por sua vez, o Bispo D. António Francisco dos Santos falará sobre “Homem – Povo/Templo – Deus”, palavras centrais de todas as outras que ficarão gravadas no monumento. Haverá ainda tempo para um testemunho, a ser dado por pessoa que conheceu bem o padre Abel e era muito da família, o comendador Almeida Roque. Houve mesmo a preocupação da parte da Comissão Cultural de fazer a ligação desta homenagem com a sua terra natal. Conta mesmo com a presença de representante da autarquia e de alguns familiares. O encerramento está marcado para as 16 horas.

Armor Pires Mota

Programa da homenagem

Oiã, 30 de Outubro

15h00 – Descerramento de monumento

15h10 – Concerto do Ensemble Vocal do Orfeão de Barrô

15h20 – Intervenção de Amaro Neves: “A talha dourada da Igreja de Oiã – O culto e a arte”

15h30 – Intervenção de D. António Francisco, Bispo de Aveiro – “Homem – Povo | Templo – Deus”

15h45 – Testemunho

16h00 – Encerramento