“Óleo, aguarela e desenho”

Exposição de Arlindo Vicente Na Galeria dos Paços do Concelho, no piso térreo do Edifício Fernando Távora, no salão nobre do Teatro Aveirense e na Galeria Morgados da Pedricosa, está patente ao público, até ao dia 11 de Outubro, a exposição “Arlindo Vicente – Óleo, aguarela e desenho”, organizada conjuntamente pelo Círculo Experimental de Artistas Plásticos – Aveiro Arte e pela Câmara Municipal de Aveiro, evento que se insere nas comemorações do centenário de nascimento do artista.

Curiosamente, a inauguração da exposição ocorreu três dias após a decisão da Câmara Municipal de Aveiro de extinguir o Museu da República, que tinha como patrono Arlindo Vicente, para criar, no mesmo espaço, o Museu da Cidade.

Na Galeria dos Paços do Concelho, estão expostos os trabalhos em aguarela, enquanto que, no Edifício Fernando Távora, estão desenhos, esboços e ilustrações. A pintura a óleo está exposta na Galeria Morgados da Pedricosa.

No Teatro Aveirense encontra-se uma mostra documental sobre a vida e obra de Arlindo Vicente, nomeadamente primeiras páginas de revistas e jornais ilustradas pelo artista, entre os quais, “Presença”, “Seara Nova”, números um do “Portugal Moderno” (Lisboa, 1928) e do “Pena, Lápis e Veneno – Quinzenário de Caricatura” (Coimbra, 1928), «Labor» revista do Liceu José Estêvão. Dos muitos livros que editou, estão presentes, entre outros, “Maria do Ahé”, novela da autoria de José Régio, “Maria do Mar”, de Eduardo Brazão Filho, e “Primavera”, de Helena Bianghini. Estão patentes catálogos de exposições em que Arlindo Vicente participou, como o da primeira exposição do Aveiro Arte, ocorrida no Teatro Aveirense, de 30 de Outubro a 13 de Novembro de 1973.

O escritor bairradino Arsénio Mota escreveu: “esteticamente, o pintor apareceu ligado inicialmente ao chamado segundo modernismo português. A seguir situou-se na órbita do expressionismo, com alguns acentos alemão e nórdico, especialmente devido à luz diluída dos seus quadros. Mas, em muitos deles, forte e desgarrador, aquele grito que salta da tela de Munch para nos envolver de visceral comoção. Mais tarde, Arlindo Vicente evoluiu em direcção ao neo-realismo”.

A vida política de Arlindo Vicente também está presente nesta mostra documental, com destaque para o seu manifesto de candidatura à presidência da república, como candidato da oposição, nas eleições de 1958 (das quais desistiu a favor do general Humberto Delgado).

Arlindo Augusto Pires Vicente nasceu no Troviscal (Oliveira do Bairro), no dia 5 de Março de 1906, e morreu em Lisboa, no dia 24 de Novembro de 1977. Formou-se em Direito, mas conciliou a advocacia com as artes plásticas. Participou na primeira exposição do Aveiro Arte, a convite de Vasco Branco. Pertenceu aos corpos directivos da Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), de Lisboa, onde realizou duas grandes exposições individuais, nos anos de 1970 e 1974.