Não foi gritando pregões, mas sim empunhando cartazes, que estudantes das turmas A e B do 10.º ano da Escola Secundária de Vagos andaram a distribuir abraços nas imediações do principal centro comercial de Aveiro. A ideia partiu dos alunos de Educação Moral e Religiosa Católica do professor Fernando Baptista e saldou-se numa experiência “extraordinária”, “muito gira”, de “satisfação”, como os próprios disseram ao Correio do Vouga.
Antes da distribuição de abraços em Aveiro, na tarde do dia 18 de Dezembro, a acção decorreu na Secundária de Vagos durante a manhã. Toda a gente abraçou toda a gente – alunos, professores, funcionários –, num sinal de solidariedade e paz, como é habitual realçar nesta época do ano. Mas houve abraços mais notados. “Muitos alunos nunca tinham abraçado o presidente do concelho executivo ou determinados professores”, referiu Fernando Baptista, para realçar que a acção propagou-se como uma onda de optimismo e simpatia pela escola de Vagos.
Em Aveiro, os jovens, com cartazes que diziam “abraços grátis” (ou algo parecido), ora dirigindo-se aos transeuntes ora esperando reacções, deram centenas de abraços e ouviram os mais diversos comentários. “Quanto é, menina?”, pergunta uma senhora. “É pena só ser nesta altura”, diz um cavalheiro. “Não custa nada, mas deixa-nos bem-dispostos”, diz outro, enquanto uma estudante relata a este jornal: “Uma senhora chorou com este gesto de solidariedade. Disse-nos que lhe fazia lembrar a infância”.
Mas também houve indiferentes, pessoas que olham desconfiadas para o gesto, gente que passou a correr, sem tempo para o abraço grátis. “Algumas pessoas olham-nos como extraterrestres”, diz uma jovem. “Os estrangeiros, brasileiros e espanhóis, estão mais receptivos”, acrescenta outro.
Após duas horas de distribuição de abraços, os jovens regressaram a Vagos com algumas histórias para contar. Quem por eles passou deve ter sentido que a simpatia ainda não foi afectada pela crise económica. Diz-se que “não há almoços grátis”. Mas abraços ainda há.
J.P.F.
Campanha dos abraços grátis
Uma ideia que veio da Austrália
A ideia de distribuir “abraços grátis” veio da Austrália. Em 2004, Juan Mann começou a dar abraços a desconhecidos, em locais públicos, com a simples finalidade provocar a boa disposição. Mais tarde, fez-se um vídeo sobre o que hoje é conhecido como “Campanha dos abraços grátis” e a ideia espalhou-se um pouco por todo o mundo. O vídeo, com 35 milhões de visualizações só no youtube (www.youtube.com, procurar com “free hugs”), é um dos mais populares da Internet e serviu de inspiração aos jovens de Vagos.
