Olhares e ondas – Sobre o “Correio do Vouga” de 28 de novembro

O carteiro toca duas vezes

Antes do Estado social está a sociedade solidária. O que implica uma educação sem medo de abordar temas «tabu» (como a greve) e outros que mexem connosco e nos obrigam a ser criativos e inovadores – de redes de proximidade, de atitudes de boa educação e de relação frutuosa entre gerações e exigindo, racionalmente, a governos e forças políticas as remodelações necessárias para um Estado de justiça (pág. 3).

O Ministro da Educação timorense veio à Universidade de Aveiro ver os «laboratórios» dos manuais escolares para Timor. Grande Pátria, a Língua portuguesa! Mas não é uma beleza deixar florescer a Língua sem cortar as raízes das palavras? (5).

As «bem-aventuranças» nunca deixam de nos «atrapalhar». Se até atrapalham os próprios especialistas bíblicos! A linguagem e influências culturais dos ouvintes desse «manifesto» de Jesus permitiam uma compreensão muito difícil de obter 2000 anos depois. As «bem-aventuranças» serão sobretudo o olhar positivo de Deus sobre o que para nós parece sem valor (sobretudo nestes tempos de economia tirânica) (17).

Toda a oposição sistemática revela falta de nível, ignorância e má formação do carácter – seja num mero «frente-a-frente» ou nos «sábios» conselhos das mais altas instituições incluindo as religiosas. E que pretendemos com a «oposição» política? É imperativo educar para saber dialogar e ver o bem mesmo «na oposição» (18).

Por que é que o «Grande Poder» da Igreja católica condenou os Padres operários? Porque estes fugiam do ambiente ciosamente «protegido» e regulado do tradicional ministério eclesiástico? Porque dialogavam com os «gentios» assimilando novas formas de pensar, audazes interrogações, verdades nuas e cruas? (20).

Hoje em dia, quem «perde» é mesmo um infeliz! Mas quem não aprende com o perder, como pode aprender a ganhar? Será alguém ao sabor das ondas e sem saber nadar. O ritmo do perder e ganhar são as cores diferentes ao longo de um arrojado caminho (20).

O Carteiro (que não distribui

o acordo ortográfico).