Oliveira do Bairro agradeceu visita do Bispo de Aveiro

A celebração que marcou o encerramento da visita pastoral foi sentida como agradecimento. Mas também foi proclamado um compromisso de renovação pastoral.

“Plantei no solo fecundo da nossa terra várias oliveiras de esperança. Que elas cresçam com os seus ramos viçosos para nos alimentar com os seus frutos, nos fortalecer com o óleo feito dos seus frutos e nos iluminar com a luz que desse óleo nasce”. Esta frase proferida pelo Bispo de Aveiro durante a missa no Espaço Inovação, na tarde de 22 de Maio, resume o sentido da sua visita pastoral ao arciprestado de Oliveira do Bairro. Na visita plantou-se. Os frutos virão a seguir.

Ao longo dos últimos cinco meses, D. António Francisco visitou dezenas de escolas, empresas, instituições sociais, crismou centenas de jovens, visitou doentes e encontrou-se com os cristãos mais empenhados na vida paroquial. Por isso, a celebração final foi sentida pelos padres e leigos como um grande agradecimento. “Este é um momento de gratidão por todo o entusiasmo, todo o sacrifício do Sr. Bispo nas diversas paróquias. Foi inexcedível na sua dedicação e nas marcas que deixou nas pessoas. Não imaginavam que tínhamos um bispo tão aberto, tão simples, com um coração tão grande”, disse ao Correio do Vouga P.e Manuel Arlindo Valente, pároco de Bustos e Mamarrosa. Maria Helena, de Sangalhos, acrescenta: “Viemos agradecer a alegria que nos deu em nos ter visitado”. Margarida Nolasco, de Fermentelos, explica as razões da sua presença: “O cristão, acima de tudo, tem de ser agradecido. Foi uma graça muito grande termos o D. António connosco. Agora é a nossa vez de responder ao convite que nos fez e, como igreja, estamos aqui”. “É um dia de emoção para nós. Ele é o nosso Pastor”, adianta Vítor Martins, de Oiã.

A celebração da Eucaristia, antecedida pela actuação do grupo Cantares do Silveiro e do Grupo de Danças Tradicionais da Santa Casa da Misericórdia de Oliveira do Bairro, foi de agradecimento, mas também de convite e compromisso comunitário (reproduzido na página seguinte desta edição). D. António Francisco convidou à escuta atenta e orante da Palavra de Deus, à formação de leigos e à evangelização, à assiduidade à Eucaristia e aos sacramentos, a irem ao encontro dos que não crêem, à promoção da unidade e comunhão arciprestal, à promoção das vocações.

Entre os cerca de dois milhares de pessoas, esteve o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro (CMOB) que, como afirmou a este jornal, tendo recebido o Bispo de Aveiro nos Paços do Concelho, em Janeiro, quis estar presente neste momento final de “encontro com o Pastor”. Interrogado sobre o diferendo que em tempos houve entre a paróquia de Oliveira do Bairro e a Câmara Municipal, por causa de uma área junto à residência paroquial, afirmou que a CMOB “dá-se bem com todos, não deixando de seguir os seus planos e as suas responsabilidades”. “O facto de o encerramento da visita pastoral realizar-se aqui [no Espaço Inovação], tal como o dia dos catequistas e o encontro dos jovens, é sinal do bom relacionamento entre instituições. Foi pedido este espaço que está concebido para estar ao serviço das pessoas. Pareceu-nos correcto cedê-lo gratuitamente para esta iniciativa”, remata.

J.P.F.

“Momento único para darmos as mãos”

Se o gesto de plantar uma oliveira em cada paróquia comporta o simbolismo da vida, do crescimento e dos frutos, a dinâmica da visita tem de continuar.

O P.e António de Almeida Cruz, pároco de Oliveira de Bairro e Sangalhos, arcipreste, afirma que “agora é hora de avaliar em cada paróquia a sua própria dinâmica” e, a partir daí, renovar o arciprestado, com base no compromisso proferido por todos durante a celebração.

Já o P.e José Augusto afirma que a renovação é principalmente paroquial, “porque é a realidade de igreja mais próxima das pessoas”. Pároco de Nariz e Palhaça, considera que a unidade arciprestal é difícil, já que o arciprestado é constituído por paróquias de quatro concelhos, mas possível. E aponta como primeiro aspecto positivo a constituição da equipa arciprestal de pastoral juvenil, que reuniu pela primeira vez na véspera.

P.e Mário Ferreira, pároco de Oiã, pensa que “a partir de agora é possível juntar as pessoas que fizeram parte dos grupos de mobilização e fazer um programa de dois ou três anos”. Para este padre, a visita “foi um momento de bênção” que na sua comunidade deve levar à constituição do conselho pastoral paroquial. A área social, por causa da pobreza, prostituição, dificuldades familiares, é prioritária. “Estamos num momento único para podermos dar as mãos”, afirma, adiantando que a nível arciprestal “vale a pensa pensar em dois ou três objectivos” que congreguem os padres e leigos mais empenhados e dinamizem as comunidades.