Livro O principal mérito de Alain de Botton é fazer da filosofia uma forma de pensar a vida. No fundo, é essa a missão grande da filosofia, mas quando dela se fala, geralmente, o que mais depressa vem à mente é a abstracção longe da vida. Filósofos são os que andam de cabeça no ar – supõe-se.
Alain de Botton, que tem sempre uma história verídica e uma imagem para ilustrar o seu ponto de vista (sim, os seus livros são profu-samente ilustrados), tem sido muito criticado pelos seus pares, como se fosse um “filósofo light”, um dispensador de “filosofia para as massas”. E se for? Um filósofo deve ser avaliado pela pertinência das suas ideias, não pela sua popularidade.
Sucesso e insucesso, mérito e fracasso estão no âmago desta obra. É disso que trata. “Status ansidedade” é a angústia que tem origem naquilo que um indivíduo pensa sobre a sua posição na sociedade e que, como é claro de ver, resulta muito das respostas a estas perguntas: “O que é que os outros pensam de mim”, “como sou julgado”, “tenho sucesso ou sou fracassado”? E esta ideia que cada um faz de si é influenciada (e explicada) por factores tão díspares como a política, a publicidade, a economia, a religião, a literatura… Ora, perante este panorama (podemos dizer que a questão do lugar que cada um ocupa na sociedade, parafraseando Paulo VI, tem a ver com todos os homens e o homem todo), a tese do autor é: “A maneira mais proveitosa de encarar esta condição será tentar compreendê-la e falar sobre ela abertamente”. É uma tese pragmática. Como pragmático poderá ser o olhar de um cristão sobre o livro. É que, se a resposta do cristianismo à questão do status não é somente uma relativização de tudo perante a perspectiva da morte (um dos capítulos da obra), a verdade é que as observações sobre a perspectiva cristã são interessantes (mas insuficientes), como igualmente reveladores são os esquemas presentes ao longo do livro, como este que aqui se reproduz e que, certamente, sintetiza o que todos sentem.
O autor
Alain de Botton nasceu em 1969. É um dos directores do Graduate Phiposophy Programme, na Universidade de Londres, e apresentou no Channel 4 a série Philosophy, que teve grande acolhimento pelos telespectadores. Em português, tem publicadas as obras “O consolo da Filosofia”, “A Arte de Viajar”, além da que agora se apresenta. Enquanto o autor prepara um livro sobre arquitectura, deverá sair em português uma das suas primeiras obras: “How Proust Can Change Your Life (Como Proust pode mudar a sua vida, de 1997).
