Opção preferencial pelos pobres tem de ser aposta inadiável

Semana CÁRITAS – 7 a 14 de Março “Hoje, importa muito mais trabalhar com os pobres

do que trabalhar para os pobres”

De 7 a 14 de Março, vai decorrer em todo o País a Semana Cáritas, assinalada, de forma mais visível, por um peditório público, nos dias 11, 12 e 13 do mesmo mês. No Dia Nacional da Cáritas, 14 de Março, domingo, os ofertórios de todas as missas revertem a favor daquela organização, que depende directamente da Conferência Episcopal Portuguesa. O tema da semana, “Família solidária, um toque de esperança”, pretende alertar-nos para a importância da família, enquanto suporte de uma sociedade mais justa e fraterna.

A Semana Cáritas pretende envolver-nos a todos, crentes e não crentes, na problemática social da pobreza, tendo em conta que, “Hoje, importa muito mais trabalhar com os pobres do que trabalhar para os pobres”, como adiantou ao Correio do Vouga o eng. Carlos Maia, presidente em exercício da Cáritas Diocesana de Aveiro.

No peditório, para o qual se pede a generosidade de toda a gente, vão estar envolvidos os habituais voluntários, mas também os membros dos Grupos Cáritas Paroquiais e de outras organizações sociocaritativas, numa perspectiva de sensibilizar toda a diocese para as necessidades dos mais frágeis da nossa sociedade.

Na certeza de que a Cáritas há muito aposta na valo-rização das pessoas, tornando-as “co-responsáveis nos seus próprios processos de promoção e de reinserção social”, Carlos Maia frisou a importância do estímulo, para que os pobres tomem “consciência da sua valia e dos seus direitos”. Mais do que serem considerados “objectos de qualquer processo de desenvolvimento social e económico”, importa ajudá-los a assumirem-se “como actores interessados nesses mesmos processos”.

Defendendo que “as pessoas têm de tomar nas suas próprias mãos o seu próprio futuro”, o presidente da Cáritas frisou que muitas passaram por “problemas complexos que as marcaram para toda a vida, ligados à habitação, à educação, à saúde e ao emprego”. E porque o emprego estável “é factor de reeducação”, Carlos Maia defendeu a criação de cursos de iniciação laboral, em áreas necessitadas de mão-de-obra, preparando canalizadores, electricistas e pedreiros, sem nunca se esquecer que alguns pobres “não têm auto-estima” e se consideram “pessoas falhadas na vida”.

“É necessário levá-las a tomarem consciência da sua própria dignidade como pes-soas humanas”, como também não pode ser descurado “o acompanhamento feito por técnicos especializados da área da psicologia clínica, de forma continuada, porque se trata de processos longos”, disse.

Carlos Maia defendeu que as paróquias deviam dar sinais concretos e inadiáveis da “opção preferencial pelos pobres”, apesar do muito que têm desenvolvido neste sector. No entanto, considerou que urge criar estruturas de apoio e de promoção, nomeadamente implementando “o trabalho social em rede”, para que as acções possam dar frutos eficazes.

Pessoalmente, o presidente em exercício da Cáritas Diocesana considera-se um beneficiado pelo envolvimento nestes serviços, porque “o obrigam a debruçar-se sobre temas que anteriormente abordava mais ligeiramente”. O enriquecimento espiritual que tem sentido apoia-se na Doutrina Social da Igreja, nas Encíclicas papais e em toda a documentação a que tem acesso, relacionada com a política social.

A Cáritas Diocesana desenvolveu, em 2003, diversas intervenções no atendimento e acompanhamento, apoiando regularmente 342 famílias, não só com o fornecimento de géneros alimentícios, vestuário, loiças e mobiliário, mas ainda através de ajudas técnicas, em especial cedendo cadeiras de rodas, camas articuladas e andarilhos. No Centro de Acolhimento e Emergência Infantil, em Esgueira, recebeu 33 crianças em risco, abandonadas ou vítimas de maus tratos.

Entretanto, no Centro de Alojamento Temporário, aberto aos sem-abrigo, passantes e aos que estão em situação de emergência social, prestou ajuda psicológica e ofereceu alojamento, refeições, medicação, higiene pessoal e roupa.

Para além de todo esse trabalho, mantém de pé o Projecto Senda Gitana, que abrange 32 famílias, num total de 110 pessoas de etnia cigana, onde promove acções de animação sociocultural e de desenvolvimento comunitário.

A Cáritas Diocesana envolve-se na animação pastoral das paróquias, na formação de agentes sociais e nas campanhas de solidariedade, em cooperação com a Cáritas Portuguesa. Nessa linha, contribuiu para as campanhas “Cáritas Ajuda Portugal”, com mais de 73 mil euros, e “Dez Milhões de Estrelas – Um Gesto de Paz”.

No próximo ano, esta organização eclesial vai continuar a desenvolver inúmeras iniciativas, dirigidas prioritariamente às pessoas mais carenciadas e mais vulneráveis, “vítimas de complexos processos de exclusão social, comuns na sociedade contemporânea, em resultado da progressiva globalização económica”.