Órgão do século XVIII volta a encher de música a igreja de Covão do Lobo

O órgão de tubos da igreja de Covão do Lobo foi restaurado e já está ao serviço da liturgia e da cultura. O P.e Paulo Cruz liderou o restauro

Não foi tarefa fácil içar para o coro da igreja de Covão do Lobo o órgão de tubos restaurado. Ocupou toda uma manhã de Agosto, implicou a montagem de andaimes e de uma grua no interior da igreja paroquial, exigiu a força de mais de uma dezena de pessoas, sob orientação do P.e Paulo Cruz, que é natural de Covão do Lobo, e com o acompanhamento do P.e Carlos Shimura, pároco.

Até aos últimos minutos, houve incerteza quanto à conclusão da missão com sucesso. Será que estrutura principal do órgão, que pesa umas centenas de quilos, passa pelo interior dos andaimes? Depois de algumas tentativas e ajustes, acabou por passar e alcançou-se a fase seguinte: colocação dos tubos no órgão e, mais tarde, pinturas finais na madeira.

“O órgão da igreja de Covão do Lobo – diz o P.e Paulo Cruz – não tem grande valor artístico. O material de que era feito era muito fraco”. Mas tem valor histórico e terá valor cultural e litúrgico para Covão do Lobo.

Segundo o P.e Paulo Cruz, pároco da Barra e da Costa Nova, que tem dedicado parte da sua actividade à música litúrgica, nomeadamente através da Edmusa (Escola Diocesana de Música Sacra) e da promoção do restauro de órgãos antigos, o órgão será do séc. XVIII, no entanto, “não há qualquer referência ao instrumento musical nos registos de contabilidade da paróquia dessa época, que existem”.

O órgão funcionou até meados do século passado. Refere o P.e Paulo Cruz, que diversos habitantes de Covão do Lobo se lembram de terem dado ao fole quando eram novos. É o caso do seu pai. Nessa altura, a música saía graças ao esforço manual. Agora os foles são enchidos por motor eléctrico.

A reparação deste instrumento, que durante restauro da igreja paroquial foi removido e guardado na residência paroquial de Covão do Lobo, onde durante anos acumulou pó, esteve a cargo da Escola e Oficina de Organaria de Esmoriz, do casal Pedro e Beathe Guimarães. Mas é justo dizer que o P.e Paulo Cruz a ele dedicou as folgas semanais dos últimos anos, trabalhando nas oficinas de Esmoriz.

Já pela pintura, depois de colocado o órgão no local definitivo, foi responsável Luís Ferreira, artista de Tomar que recentemente restaurou a azulejaria da antiga igreja das Carmelitas de Aveiro.

Jorge Pires Ferreira

Para quando o restauro do órgão da Sé?

O P.e Paulo Cruz dotou as suas paróquias da Barra e da Costa Nova, no arciprestado de Ílhavo, de órgãos de tubos e serviu de intermediário para que outras paróquias, como Calvão e Albergaria conseguissem igualmente equipar as igrejas paroquiais com este instrumento que dá outra dignidade à música litúrgica.

Os instrumentos provêm do centro da Europa (Holanda, Alemanha…), geralmente de paróquias protestantes, onde há igrejas a serem vendidas por já não terem fiéis há muitos anos. De vez em quando, há bons órgãos de tubos a preços acessíveis, na ordem dos poucos milhares de euros.

O grande sonho do P.e Paulo Cruz passa, no entanto, pela recuperação do órgão da Sé de Aveiro, desejo que Domingos Peixoto, outro colaborador da Edmusa, também já expressou publicamente. “Talvez consigamos em 2013”, afirma P.e Paulo. “É o ano do jubileu da restauração da Diocese”.