Mário Manuel Santos Braga, 50 anos, é presidente do Movimento dos Cursilhos de Cristandade desde o ano apostólico de 2003/2004, depois de ter feito o seu Cursilho de Cristandade em 1996, o 60.º. Casado, pais de duas filhas, funcionário da PT Comunicações, Mário Braga realça que o movimento existe para “fermentar de Evangelho os ambientes que nos rodeiam”. Entrevista realizada via e-mail por Jorge Pires Ferreira.
CORREIO DO VOUGA – O Movimento dos Cursilhos de Cristandade (MCC ou simplesmente Cursilhos) está a comemorar 50 anos de presença em Portugal. Há na Diocese de Aveiro uma preocupação em mostrar o MCC à sociedade nas iniciativas que estão programadas?
MÁRIO MANUEL SANTOS BRAGA – Sim, queremos mostrar que o Movimento está bem vivo e que continua a desenvolver a sua principal actividade: Fermentar de Evangelhos os ambientes, “para formar uma Igreja de Homens”, como dizia Eduardo Bonnin [1917-2008, fundador do movimento]. Queremos aproveitar o Jubileu para incutir maior impulso às paróquias onde o MCC não está tão activo.
O que procura realmente fazer o MCC?
O MCC existe para tornar possível a vivência e a convivência do que se considera como sendo o “fundamental da vida cristã” e com isso criar núcleos ou grupos de cristãos. Podemos dizer o mesmo por outras palavras: ajudar cada um a descobrir e a realizar a sua vocação pessoal, com a qual e por meio da qual servirá a Igreja e o Mundo, fermentar de Evangelho os ambientes que nos rodeiam, humanos, familiares, profissionais, sociais, isto é, levar a mensagem de Cristo a todos os ambientes.
Podemos, presumir, portanto, que se trata de um movimento de evangelização. O que diferencia este movimento de outros na Igreja? É um movimento laical…
Os movimentos de Igreja, na minha opinião, estão todos virados para serem uma Igreja de homens e mulheres formados, para dar a conhecer Jesus Cristo aos que não O conhecem ou para aqueles em que Ele está um pouco adormecido. A particularidade maior deste Movimento é possuir um método próprio, na linha da pastoral profético-kerigmática. O MCC pretende criar grupos, estimular a vivência cristã dentro do grupo. A evangelização faz-se por meio de grupo através da piedade, estudo e acção, e não individualmente.
Sim, é um movimento tipo laical, mas que nasceu no seio da Igreja de Palma Maiorca com a anuência do Bispo D. Juan Hervás, daí nada ser realizado sem o acordo da Hierarquia da Igreja.
Como conheceu os MCC? Conte-nos um pouco da sua história pessoal no Movimento.
Conheci o Movimento há muitos anos, ainda jovem. Na minha paróquia [Palhaça], falava-se muito de Cursilhos. Mas o grande contacto aconteceu quando a minha esposa e eu realizámos o Cursilho. Logo entendemos que queríamos conhecer melhor o MCC. Entrámos para a Escola do Movimento e participei em algumas equipas reitoras. No Ano Apostólico de 1998/1999, entrei para o Secretariado Diocesano para o Pós-cursilho. Nos anos de 2005 a 2007, fiz parte do Secretariado Nacional, como coordenador do Núcleo Norte. Desde o ano de 2007, sou membro da Comissão Nacional das Comemorações dos 50 anos do 1.º Cursilho Nacional.
Chegou a conhecer o fundador? Viu-o alguma vez?
Sim, tive o privilégio de conhecer Eduardo Bonnin e de estar com ele no ano de 2004, quando fomos de Portugal trezentos Cursilhistas a Palma de Maiorca, que era a sua Diocese e onde residia.
Conhece histórias de conversão devidas ao MCC na Diocese de Aveiro?
São muitas as pessoas que depois de terem participado num cursilho de cristandade começaram a viver mais próximos de Cristo e com um melhor testemunho cristão.
A Igreja precisa de um movimento como este? Porquê?
A Igreja precisa de todos os movimentos e deste em particular, porque é capaz de trazer novos homens e mulheres para a Igreja, e provoca-os a levarem o Evangelho para os ambientes em que estão inseridos no dia-a-dia.
Quando se realizaram os primeiros cursilhos na Diocese de Aveiro?
O primeiro Cursilho de homens da Diocese de Aveiro realizou-se de 27 a 30 de Dezembro de 1963 em Mira com a presença de oito Sacerdotes, sete leigos na Equipa Reitora e 39 novos Cursilhistas.
O primeiro Cursilho de Senhoras realizou-se de 16 a 19 de Setembro de 1964 em Mira com a presença de quatro sacerdotes, 11 leigas da equipa reitora e 40 novas cursilhistas.
Faça-nos uma radiografia do Movimento na Diocese de Aveiro: quantos cursilhos se realizaram, participantes, actividades…
Realizámos até agora 67 Cursilhos de Senhoras e 82 Cursilhos de Homens.
Participaram, nos cursilhos da Diocese de Aveiro, 5093 cursilhistas (2734 homens e 2359 senhoras). Algumas pessoas fizeram o seu Cursilho nas ex-Províncias Ultramarinas e estão agora inseridas na nossa Diocese.
Realizámos também 43 minicursos para casais, que permitem reavivar a vivência do Cursilho e assumir o seu compromisso de cristãos em casal, 15 Cursos de Dinamização Ambiental (CDA), com a finalidade de preparar os cursilhistas para actuarem nos seus ambientes e que constitui um complemento valioso do próprio Cursilho de Cristandade.
Como se organiza o MCC?
Existe o Organismo Mundial dos Cursilhos de Cristandade (OMCC), que tem por objectivo promover, manter e coordenar a unidade dos secretariados nacionais; são um espaço de união e comunhão, mas sem qualquer poder sobre os Secretariados Nacionais. É constituído pelos grupos internacionais devidamente reconhecidos.
Há depois o Grupo Europeu de Coordenação dos Cursilhos (GECC), onde estão representados os secretariados europeus. Neste momento é o Secretariado da Croácia que representa a Europa no OMCC.
Em Portugal, há o Secretariado Nacional, a quem compete coordenar, ajudar e promover a unidade dos secretariados diocesanos, desenvolver o MCC no País, programar as actividade nacionais e manter uma activa e constante comunicação com todos os secretariados nacionais, para que exista comunhão entre todos.
O Secretariado Diocesano é a peça essencial do MCC. É constituído por um grupo de sacerdotes e leigos a quem o Bispo Diocesano confia a responsabilidade da promoção e desenvolvimento do Movimento na Diocese. Em Aveiro, o Secretariado Diocesano tem a seguinte composição: director espiritual, P.e António Almeida Cruz; directores espirituais adjuntos, P.e Paulo Gandarinho, P.e Abílio Araújo e P.e Nicolau Barroqueiro. Presidente, Mário Braga; secretário Virgílio Freixo; tesoureiro, José Augusto; responsável pela Escola, Teresa de Sousa; comunicação, José Grancho e José Luís; pré-Cursilho, Filomena Amaral e Maria Helena; Pós-Cursilho, Manuel Ribeiro e Modesto Arada.
Por vezes, o MCC, como é natural, tem uma linguagem que não é facilmente entendida pelos de fora. Explique-nos, por exemplo, o que é: Ultreia, Intendência, “De Colores”, Rolho, Quarto dia.
Ultreia é a reunião da reunião dos grupos, é a comunidade espiritual de cristãos reunidos em atitude de conversão progressiva através da partilha, para se sentirem unidos numa só fé e num só Senhor, para os incentivar na Evangelização dos Ambientes.
Intendência é um gesto, um pedido, uma suplica a Deus para que nos conceda a sua graça. É feita com orações e sacrifícios, que devem ser acompanhados com a nossa conversão no dia-a-dia, a nossa vida, orientada pelo amor, que devemos manter com os nossos irmãos.
De Colores é o título do hino do nosso Movimento. Para nós, cursilhistas, quando nos saudamos uns aos outros em “De Colores”, deve significar que estamos em graça com Deus.
Rolho é o nome que se dá aos temas que são transmitidos nos cursilhos e até mesmo nas ultreias. É um nome que se usa internacionalmente.
Quarto dia são todos os dias após a participação num cursilho de três dias.
Para terminar, quer deixar alguma palavra especial?
Lanço um apelo a todos os que um dia participaram num Cursilho de Cristandade para que participem nestas comemorações nos dias 17, 18 e 19 [programa na edição do CV de 1 de Setembro].
