Uma pedrada por semana O Ministro do Interior de França, que é também o homem das polícias, da segurança e da ordem pública, falou há dias da laicidade como um valor, porque, dizia ele, há “uma laicidade que respeita, que concilia, que dialoga”. Na mesma linha já falara o seu presidente, Sarkozy, que reconhece o interesse público das confissões religiosas.
A França, berço do laicismo e do vendaval destrutivo que o mesmo suscitou, acabou por entender que há uma diferença entre o laicismo que destrói e mata e a laicidade que respeita e ajuda a fazer caminho em comum, num mundo plural.
Vimos falando desta diferença há muito tempo. Por cá, porque se lê pouco, se reflecte ainda menos e é grande a obediência à loja dos zelosos fazedores de opinião neste campo, a confusão persiste.
Bento XVI, em Paris, enfrentou corajosamente o problema, a quando da sua última visita a França, há poucos meses, quando falou a centenas de intelectuais. O Ministro a que me refiro, ao cessar a presidência francesa da UE, num colóquio da iniciativa do seu país sobre “Religiões e poderes públicos”, falou aos representantes dos estados-membros e aos representantes das confissões religiosas mais significativas na Europa desta laicidade autónoma, legítima e construtiva. Uma reflexão de grande alcance que se impõe.
À comunicação social não escapa nenhum pequeno escândalo, acontecido no mais recôndito cantinho do mundo. E se mete religião, então repete-se à saciedade, não vá alguém deixar de ler ou de saber. Estas coisas que metem ideias e podem tocar em interesses e sistemas, normalmente passa-lhes ao lado. Até que um dia se acorde.
