Os leigos na Igreja

Revisitar o Concílio Vaticano II O compromisso de todos os baptizados com a missão da Igreja, resultante da sua união com Cristo, pelo Baptismo, reveste facetas diversas. Uma dessas facetas é a sua configuração individual ou organizada.

O decreto sobre o apostolado dos Leigos dá atenção específica à configuração individual. “O apostolado individual, que irrompe com abundância da fonte da vida realmente cristã, é o fundamento e a condição de todo o apostolado, mesmo do apostolado associado, e nada poderá substituí-lo. Todos os leigos, de qualquer condição, são chamados e obri-gados a este apostolado, mesmo que não tenham ocasião ou possibilidade de colaborar e participar em associações” – n.º 16.

Sem esquecer que, ainda nestas circunstâncias, é necessária uma comunidade de referência e de suporte, o Concílio sublinha um aspecto fundamental. É que o apostolado brota da fonte da vida realmente cristã. A falta de compromisso apostólico radica, seguramente numa fragilidade de vida cristã. Quem vive uma sólida intimidade com Jesus Cristo, quem vive o que crê, não pode deixar de comunicar o que vive! Nada pode substituir esta fonte.

Em algumas situações, o apostolado individual “é o único apropriado e até o único possível”. Há condições históricas e sociais em que “só por meio dos leigos a Igreja pode ser sal da terra” – LG n.º 31.

Outro aspecto interessante da configu-ração do apostolado laical é a sua espiritualidade. Tendo tratado, no cap. IV da Lumen Gentium, a vocação de todos à santidade, o Concílio propunha, deste modo, a forma de os leigos serem santos, distinta dos monges, por exemplo. Eles são santos “vivendo no mundo, isto é, em toda e qualquer actividade terrena e nas condições ordinárias da vida familiar e social. (…) Por vocação própria, compete aos leigos procurarem o Reino de Deus tratando das realidades terrestres e ordenando-as segundo Deus” – LG n.º 31.

O parágrafo 4 do Apostolicam -, depois de referir que ser cristão é “o exercício constante da fé, da esperança e da caridade”, desdobra-se a apresentar o estilo de vida que o leigo cristão é chamado a ter. Já sabemos que ele envolve uma estrutura interior original, que resulta numa relação também original com os outros e com as coisas e instituições. Sabemos. Mas com facilidade caímos numa espiritualidade de tendência monacal, subtraindo-nos a “sujar as mãos” com a realidade terrestre, à espera da nossa qualidade de fermento e sal.

Querubim Silva