Uma pedrada por semana O exemplo vem de fora. Por cá, os gestos nobres e doutos, normalmente, escandalizam. Ora vejam que nem tudo se aprende no computador, mesmo que ele se chame “Magalhães” e se proclame, por aí, que sem a Matemática não há futuro.
Foi um senhor doutor, com as letras todas, professor e especialista de matemática pura, israelita de seu país e Ron Aharoni de seu nome, que veio a Lisboa dizer, na Gulbenkian, novidades como estas: “Para aprender Matemática é preciso bons professores, bons manuais, saber a tabuada, fazer uma coisa de cada vez e só passar à seguinte depois de compreender a primeira.”
E depois, o maduro do doutor não se ficou por estas afirmações dissonantes. Imaginem que ele, há oito anos, desceu à escola básica e ficou aí a ensinar matemática aos alunos do 1.º ciclo. É que ele diz que, no tempo dos poucos meios e dos muitos esforços, aprendia-se, e agora os miúdos mais evoluídos e informados, não aprendem do mesmo modo. Foi dizendo, ainda, que os professores ensinam o que sabem e não o que os outros precisam de saber. Por vezes, querem divertir os alunos para ver se aprendem melhor. Parece que a coisa também não vai por esse lado, mas fazendo-os entender, porque de diversão sabem eles mais e demais.
Recordo que o meu professor de Matemática, a mim, que “estudava para padre”, me respondeu a uma pergunta atrevida (“Para que serve para nós a Matemática?”), que a dita servia “para lubrificar a inteligência”. Pois é. Nunca mais esqueci e deu resultado.
E, já agora, esta do professor israelita dizer que os miúdos têm de se saber a tabuada… Pelos vistos, não basta a maquineta?…
António Marcelino
