O P.e Manuel Martins Simões Melo tomou posse da paróquia de Amoreira da Gândara no Domingo passado, 28 de Setembro. É também pároco do Troviscal desde 2007.
O Correio do Vouga conversou com o pároco sobre o seu trabalho nestas duas paróquias que integram o arciprestado de Oliveira do Bairro.
“As minhas principais preocupações na paróquia de Troviscal são construir uma comunidade unida que seja capaz de integrar as diferenças para seu bem e enriquecimento, uma comunidade em torno da Eucaristia, isto é, tendo como eixo fundamental da sua vida a Eucaristia e, portanto, Jesus Cristo morto e ressuscitado”, afirma. Mas acrescenta um programa extenso: “Ajudar a descobrir a importância da Palavra de Deus, quer na vida da comunidade cristã, quer na vida das famílias; ajudar a crescer no gosto pela oração, sobretudo pela oração da Adoração a Jesus Cristo presente na Eucaristia – promovendo, neste campo, a iniciativa e criatividade do grupo de oração carismático existente na paróquia; fazer com que o cuidado pelos pobres seja uma preocupação permanente da comunidade cristã, apoiando e estimulando o crescimento do grupo Cáritas apostar numa catequese activa e criativa que promova e estimule o gosto pelo encontro pessoal, em grupo, com Jesus Cristo presente na Palavra de Deus, na Eucaristia e nos que sofrem; apostar na participação activa dos cristãos através do Conselho Económico Pastoral; dar formação específica para uma participação mais activa e consciente na Eucaristia – leitores, acólitos, grupo coral de jovens e de adultos; e acompanhar de perto o maravilhoso Agrupamento de Escuteiros de Troviscal como escola de humanismo e de formação cristã”. “Não esqueço, naturalmente, os doentes que estão sempre no centro das atenções da paróquia”, acrescenta o P.e Melo.
Em relação à nova paróquia, as suas expectativas passam por “dar um contributo para a construção de uma comunidade paroquial, como verdadeira família, que coloca no seu centro Jesus Cristo morto e ressuscitado, presente, de um modo único, na Eucaristia”. No fundo, o mesmo esforço e trabalho pastoral que está a desenvolver na paróquia de Troviscal, como reconhece. “Para este trabalho todos estão convidados a participar activamente! Ninguém pode pensar ou julgar-se dispensado de dar o seu contributo. Mesmo os que se julgam demasiado pobres para dar seja o que for estão convidados a dar o seu contributo. Não foi da pobreza de Jesus Cristo, Deus feito Homem, que todos nós fomos enriquecidos? É, pois, também da minha pobreza que sou chamado a enriquecer outros”, afirma. Sublinha, no entanto, que vai dar continuidade “à experiência já feita por muitos com o pároco anterior”.
E conclui: “Apresento-me com total disponibilidade e espírito de serviço para trabalhar, sempre em comunhão com a Igreja de Jesus Cristo, presente na nossa Diocese e visível no sucessor dos Apóstolos, D. António Francisco”.
Ministério sacerdotal centrado na Bairrada
O P.e Manuel Martins Simões Melo conhece bem a Bairrada. Nela nasceu (em Avelãs de Cima, Anadia, no dia 17 de Maio de 1961), nela estudou nos primeiros anos e nela trabalhou e trabalha – com algumas passagens por outras paróquias.
Ordenado a 22 de Novembro de 1987, por D. Manuel de Almeida Trindade, iniciou o seu ministério nas paróquias da Murtosa, Monte e Bunheiro (“recordo com saudade e alegria a primeira missa celebrada na paróquia do Bunheiro: como foi bonito e como me marcou um tapete de flores até à igreja matriz, feito pelos cristãos, o cuidado colocado na escolha dos cânticos e a participação activa na Eucaristia; também recordo a primeira missa celebrada na paróquia de Murtosa e o convívio no pavilhão desportivo”), passou um ano por Estarreja, em 1988 (“apenas um ano, mas o tempo suficiente para criar boas amizades”), e três por Ílhavo.
Em 1992, foi nomeado pároco de São Miguel de Vila Nova de Monsarros e de N.ª Sr.ª do Ó de Aguim. Foi o primeiro pároco desta paróquia e a ela continua ligado, “com muito afecto”, fazendo parte da actual direcção do Centro Social Nossa Senhora do Ó. A partir de 1997, serviu as paróquias de São Miguel de Vilarinho do Bairro e de Nossa Senhora D’Assunção de Ancas. Nestas paróquias, diz, “tal como São Paulo, fiz-me tudo para todos para ganhar alguns para Cristo. Reconheço alguns erros cometidos, mas foi tudo para ganhar o maior número de «criaturas» para Cristo”.
Em 2006-07, serviu em equipa sacerdotal as paróquias de Sever do Vouga, Rocas do Vouga, Silva Escura e Dornelas. “Não contive as lágrimas quando celebrei a última missa na pequena mas maravilhosa paróquia de Dornelas!”, afirma. “Certamente que as outras paróquias também me marcaram pela positiva, mas foi a paróquia mais pequena que mais me marcou”, diz, revelando algum desgosto por não ter participado na recente inauguração do restauro da igreja matriz.
Paralelamente à vida paroquial, o P.e Melo tem uma carreira de 20 anos de professor de Educação Moral e Religiosa Católica (nas escolas da Murtosa, Estarreja, Ílhavo, Anadia e Vilarinho do Bairro).
“Um bem-haja aos professores que sabem ser exigentes”
Em discurso directo, o P.e Melo conta-nos o seu percurso formativo.
“Terminados os primeiros quatro anos de estudos, em Avelãs de Cima, por influência positiva do pároco, P.e Agostinho Teixeira, entrei no Seminário de Calvão. Recordo as aulas da Telescola (primeira parte acompanhada pela televisão) e alguns professores que me marcaram, na altura negativamente e hoje, olhando para trás, positivamente, pela exigência a nível dos estudos, a nível espiritual e das regras do bom comportamento. Tínhamos um pequeno livro que nos ensinava a saber as boas regras da sã convivência!
Recordo, com muita saudade, o querido Padre Fonte. Este destacava-se pela relação aberta e franca com os alunos, pela amizade, pela disponibilidade para ajudar e pela sensibilidade – sentimentos próprios das grandes pessoas – em ir ao encontro dos seminaristas! Foram anos extremamente positivos…
No Seminário de Santa Joana Princesa, já homenzinho, encontrei três padres que me marcaram fortemente na minha caminhada rumo ao sacerdócio: os saudosos padres Arménio e Fonte e o P.e Camões.
O P.e Arménio Costa, como reitor do Seminário, marcou-me pela simplicidade, pela alegria contagiante e pela disponibilidade para acompanhar os seminaristas, o P.e Camões pela exigência (na altura mal entendido mas hoje, olhando para trás, bem entendido) e P.e Fonte, que já referi, pela proposta do Escutismo, que me ajudou muito no amadurecimento da vocação sacerdotal.
Há dois professores que não posso esquecer o saudoso P.e Aníbal Ramos e o Professor António Capão, o primeiro pelas histórias que contava, o segundo por nos levar a saber tudo na ponta da língua. Foi com o Prof. Capão que aprendi a dominar e a falar correctamente a Língua Materna. Um bem-haja aos professores que sabem ser exigentes!
Continuei os estudos e a caminhada para o sacerdócio no Porto, residindo no Seminário da Boa-Nova, em Valadares. Como foi bom para o amadurecimento humano e espiritual um ambiente aberto mas que exigia responsabilidade! Naturalmente, o P.e Manuel de Pinho Ferreira, que nos acompanhava, soube compreender-nos, mesmo nos momentos difíceis. É justo deixar uma palavra de apreço e de gratidão ao P.e Pinho, que nos soube “aturar”! Nas aulas, os alunos de Aveiro destacavam-se pela postura correcta e alguma irrequietude, mas também pelos bons resultados nos estudos! Terminei a formação teológica no Seminário Maior de Coimbra”.
