Na madrugada do passado dia 21, no Hospital de Anadia, acabou por falecer o Padre Alfredo Simões Rei, que contava setenta e sete anos de idade, pois nasceu em 23 de Abril de 1927, na freguesia de Bustos.
Ordenado presbítero em 29 de Junho de 1951, por D. João Evangelista de Lima Vidal, depois de ter passado um ano na Casa Episcopal, acompanhando o saudoso Arcebispo, foi nomeado pároco da Moita (Anadia), exercendo aí o ministério pastoral durante cerca de quarenta e quatro anos.
Nesta freguesia, o referido sacerdote impôs-se pela sua dedicação, generosidade, trabalho e sacrifício. Pela sua iniciativa e sob a sua responsabilidade, a comunidade paroquial reconstruiu a igreja matriz e reparou as capelas dos diversos lugares; além disso, construiu algumas casas para necessitados, a casa paroquial e os edifícios para a catequese, para os encontros de formação e para apoio ao exercício da caridade.
Em 1956, com o incentivo de alguns paroquianos e de outras pessoas, criou e deu vida à instituição de solidariedade, que denominou “Património dos Pobres da Moita”, com uma finalidade alargada em ordem ao bem-fazer. Passados trinta anos, tal instituição passaria a denominar-se “Centro Social Paroquial da Moita”, com as suas diversas valências de solidariedade, desde a infância até à terceira idade. Mais do que uma vez, a freguesia da Moita, reconhecendo a sua abnegação altruísta, manifestou-lhe o seu reconhecimento.
Em certa altura da nossa história nacional, quando se apercebeu de que algumas liberdades cívicas e alguns direitos humanos estavam a ser ameaçados, foi o Padre Alfredo Rei um dos que lembrou e diligenciou no sentido de se encorajarem as comunidades para manifestarem abertamente e em público o seu pensar. Sem demora, daqui nasceu a chamada “Manifestação dos Cristãos” que, em Aveiro, do dia 13 de Julho de 1975, aglutinou apartidariamente muitas dezenas de milhares de pessoas.
O funeral do extinto, cujas exéquias litúrgicas foram na igreja da Moita, com a concelebração eucarística sob a presidência do nosso Bispo, realizou-se na manhã do dia seguinte ao do falecimento.
Ao lembrar este sacerdote, os que trabalham no “Correio do Vouga” apresentam sinceros pêsames ao Presbitério diocesano e a todos os seus familiares.
