Simpósio do Clero começa esta terça-feira em Fátima, com 440 inscritos.
Os padres católicos em Portugal não chegarão para as solicitações e atingirão o limite das suas capacidades se os leigos não participarem mais na vida da Igreja, frisou o secretário da comissão episcopal responsável pelas vocações.
“Se atendermos às exigências e aos desafios das nossas comunidades, que por vezes tornam preponderante a questão dos sacramentos, então não temos padres suficientes, até porque deixámos de ter um sacerdote por paróquia, como era tradicional”, afirmou o padre Emanuel Silva.
O sacerdote da Diocese de Portalegre-Castelo Branco considera que “se o padre não souber trabalhar em Igreja será uma pessoa mais cansada” e que corre o risco de chegar à “síndrome do limão espremido”, que ocorre quando “já não tem mais nada para dar”.
“A vivência da Igreja faz um apelo a que o padre não seja um homem cansado. Os ministérios, o compromisso laical e a organização das comunidades contribuem para que o sacerdote faça bem o que lhe é próprio”, sublinha o padre Emanuel Silva, que em abril foi designado secretário da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios.
Em contrapartida haverá “padres suficientes” se a missão da Igreja contar com a participação de “todos os leigos e ministérios”, apontou o responsável, nas vésperas do 7.º Simpósio do Clero, que começou ontem em Fátima. A iniciativa, dedicada ao tema ‘O Padre, Homem de Fé – do Mistério ao Ministério’, conta com 440 inscritos de várias dioceses, revelou o sacerdote de 45 anos.
No entender do padre Emanuel Silva a “grande dificuldade” para o clero é o facto de a cultura atual “procurar mais a sensação do que a caminhada, mais as soluções imediatas do que os projetos”.
“A valorização do transitório leva a que muitas vezes se reduza a vida ao sabor dos momentos, em vez de os situar num horizonte mais alargado”, salientou, acrescentando que o número de candidatos ao sacerdócio depende da disponibilidade pessoal “para comprometer a vida para sempre, o que é quase anacrónico nos dias de hoje”.
O papel do padre na sociedade portuguesa será tanto mais relevante quanto o sacerdote não deixar de agir segundo a “fraternidade, a verdade e a justiça”, contribuindo para que as consequências destas disposições se tornem “existencialmente presentes”.
O responsável espera que o encontro constitua um “momento de paragem para revitalizar” o clero e revelou que vai ser realizado um Fórum Vocacional no fim de outubro.
Teresa Salgueiro canta para os padres
A cantora Teresa Salgueiro, ex-vocalista do grupo Madredeus, vai atuar no 7.º Simpósio Nacional do Clero. A cantora, agora a solo, editou recentemente o trabalho «Mistério» onde afirma uma espiritualidade e fé em algumas letras que compõem o álbum.
O encontro, da responsabilidade da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, decorre até sexta-feira e terá como grandes temas orientadores «Nas Fontes da Fé», «O Ministério do Padre», «Os desafios da fé» e «O padre, peregrino da fé». Conta com intervenções de Zita Seabra, editora, P.e Pierangelo Sequeri, teólogo e músico italiano, D. José Cordeiro, Bispo de Bragança, Eloy Bueno de la Fuente, teólogo espanhol, entre outros.
O cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, encerra o último dia do encontro com a conferência «O padre, peregrino da fé».
