Palavra cheia de fecundidade

À Luz da Palavra – XV Tempo Comum – Ano A A liturgia deste domingo põe diante dos nossos olhos a importância da Palavra de Deus nas nossas vidas, e incita-nos a preparar o terreno do nosso coração para a receber frutuosamente.

A primeira leitura fala-nos da fecundidade da Palavra de Deus. Assemelha-a à chuva e à neve que caem do céu e que não voltam para lá sem terem produzido o seu fruto. Assim, a Palavra que vem de Deus e que cai nos nossos corações não volta para Deus sem ter produzido os seus frutos. Ela é eficaz, porque nos indica caminhos de felicidade, de alegria e de vida verdadeira; revela-nos os projectos de Deus para cada um de nós e para o mundo e leva-nos a comprometer-nos com a transformação da sociedade. Porém, a palavra nem sempre actua de acordo com os nossos critérios e prazos, que, muitas vezes, são mesquinhos e egoístas. Tenho eu paciência para esperar a acção da Palavra em mim e no mundo, ao ritmo de Deus? Acredito na sua eficácia, embora ela actue dentro de prazos, que não são os da minha imediatez?

O evangelho propõe-nos uma reflexão sobre o modo como acolhemos a Palavra. Jesus contou e explicou a parábola da semente, que assemelhou à Palavra de Deus, isto é, a todo o conjunto de mensagens divinas que nos vêm do texto bíblico e da Igreja e que se destinam a ensinar-nos a viver a nossa vida pessoal, familiar e social, de modo a encontrarmos a verdadeira felicidade e a construirmos o Reino de Deus, desde já. As estatísticas dizem-nos que poucos cristãos lêem a Palavra de Deus e, daqueles que a escutam, poucos a põem em prática. Será que ainda não percebi a importância da Palavra de Deus para me construir como filho e filha de Deus e como agente transformador da sociedade? Será que não vislumbro os muitos “espinhos” e o “terreno calcado e rochoso” em que vivo? Sem profundidade, arrisco-me a mergulhar no sem sentido, no absurdo da vida, no oportunismo, e a cair em toda a espécie de vícios que me corrompem a mim e à sociedade. Será isto que quero para mim e para os meus vindouros?

A segunda leitura apresenta a solidariedade existente entre o ser humano e o resto da criação. Na sequência do tema das outras duas leituras, podemos entender que só a Palavra de Deus nos fornece os critérios para que possamos viver “segundo o Espírito”, de modo a construir “o novo céu e a nova terra”, onde viveremos plenamente como filhos e filhas de Deus. Contudo, dada a estreita relação entre nós e o resto da criação, as minhas opções de vida afectam, para o bem ou para o mal, os meus irmãos e irmãs e o resto do mundo. Tenho consciência disto? Estou ciente de que o futuro ideal, a que aspiro, é começado a construir desde já, na medida em que me disponho a viver “segundo o Espírito”, escutando a Palavra e pondo-a em prática?

Leituras do XV Domingo: Is 55, 10-11; Sl 65 (64); Rm 8,18-23; Mt 13,1-23

Deolinda Serralheiro