Palestra debateu problemas dos pés

Promovida pela Associação de Diabéticos de Ílhavo A convite da Associação de Diabéticos do Concelho de Ílhavo, Rosa Gallego, médica de família no Centro de Saúde de Vila Franca de Xira e membro do Grupo de Estudo da Diabetes, analisou as causas e consequências mais frequentes nos problemas com os pés dos diabéticos, factor de risco que afecta cerca de quinze por cento dos diabéticos a nível nacional, e também na região aveirense.

Perante uma assistência a rondar a centena e meia de pessoas, na quase totalidade diabéticas, esta especialista em “pé de diabético” afirmou que “a melhor prevenção que um diabético pode fazer é olhar muito bem para o seu pé, usando um espelho para ver a palma”, após o que “deve passar um algodão nos pés para ver se os sente”, já que a falta de sensibilidade nos pés é frequente nos diabéticos devido à má circulação. Deve ainda “ter cuidado com aquilo que calça, meias e sapatos”. Diariamente, deve “lavar os pés, com água morna, com um pouco de vinagre de maçã ou outro anti-séptico, deixando-os de molho até dez minutos, secá-los muito bem entre os dedos”.

Importante, no dizer de Rosa Gallego, é que “pelo menos uma vez por ano, o diabético deve mostrar os seus pés ao médico de família. Mas os que têm problemas, devem ser vistos mais frequentemente. Esta é a maneira de um diabético salvar os seus pés. À mínima alteração dos seus pés, seja de unhas, seja ferida, ou outra anomalia, deve ir de imediato mostrar o pé ao médico de família”.

Como afirma esta médica, as amputações ocorrem “por causa da má vigilância dos pés”, porque, “algumas pessoas deixam as coisas chegar demasiado longe, continuando com a sua diabetes mal controlada. Alguns são fumadores, outros têm problemas com o álcool; há ainda os que andam com sapatos não adequados, podem-se ferir, não se tratam, fazem infecções gravíssimas. Por isso, para salvarmos a vida do diabético, só nos resta cortar o pé, onde está a zona infectada”. Rosa Gallego alerta para o facto de que “um problema grave das amputações é que, quando se tira um pé ou uma perna a um diabético, o outro pé está em perigo muito grande, porque ele passou a fazer a força toda sobre esse pé, pelo que a probabilidade de vir a ter uma amputação também nesse pé ou perna é muito elevada”. Por isso, a amputação “é uma intervenção in extremis que visa salvar a vida do diabético, tirando aquele membro, antes que forme gangrena e a pessoa morra devido a isso”, considera esta especialista.

Marques Leal, médico e membro da associação, reforçou a necessidade da prevenção, dizendo que ela “não passa só pelo médico, mas também pelo doente”, até porque “a esmagadora maioria dos casos relacionados com o pé doente do diabético são resolvidos no centro de saúde, pelo médico de família e pela enfermeira que trabalha com o médico de família. Casos especiais, que por vezes aparecem de um momento para o outro, têm que ser tratados de imediato, muitas das vezes, na urgência do hospital. Também o médico de família pode arranjar uma credencial para uma consulta da especialidade, seja no hospital de referência mais próximo, neste caso, o de Aveiro, seja no Hospital de Santo António, no Porto, que se especializou muito na consulta de pé diabético”.

Na véspera, em Ílhavo, Rosa Gallego interveio numa sessão organizada pela Associação de Diabéticos do Concelho de Ílhavo direccionada exclusivamente para pessoal de saúde, nomeadamente médicos e enfermeiros.