Papa alerta para riscos dos totalitarismos

Bento XVI visitou uma paróquia romana dedicada a S. Maximiliano Kolbe, padre polaco assassinado na II Guerra Mundial.

Bento XVI alertou no domingo, 12, para os riscos de regimes totalitários e ditatorais, lembrando o “grande vazio e grande destruição” que os mesmos deixaram no século XX.

Numa homilia proferida na paróquia de São Maximiliano Kolbe, na periferia de Roma, o Papa apontou o dedo aos “muitos profetas, ideólogos e ditadores” que assumiram a pretensão de mudar o mundo. “Criaram os seus impérios, as suas ditaduras, o seu totalitarismo que teria mudado o mundo. E mudaram-no, mas de forma destrutiva”, constatou.

Presidindo à Missa no terceiro Domingo do Advento, tempo de preparação para o Natal, Bento XVI convidou os fiéis a “levar a mensagem do amor de Deus a todos os homens”.

Cristo, acrescentou, “não fez revoluções cruentas”. “Não é a violência a verdadeira revolução que muda o mundo, mas a luz silenciosa da verdade é o sinal da presença de Cristo que nos dá a certeza de que somos amados e não somos o produto do acaso, mas de uma vontade de amor, precisou.

Dirigindo-se aos fiéis presentes nesta celebração eucarística, Bento XVI exortou cada um a dar o seu contributo na “caridade, pilar da vida cristã”.

Neste contexto, recordou o padre Massimiliano Kolbe, morto no campo de concentração nazi de Auschwitz, durante a II Guerra Mundial, ao oferecer de forma voluntária a sua vida em troca pela de um pai de família.

O Papa deixou um convite a “deixar entrar sempre Deus” nas casas e nos bairros, “para ter uma luz no meio de tantas sombras, das muitas fadigas de cada dia”.

Após a visita, Bento XVI regressou ao Vaticano, onde presidiu à recitação do Angelus.

Bento XVI: “O Advento chama-nos

a potenciar a tenacidade interior”

Bento XVI convidou os católicos de todo o mundo a “unir de maneira equilibrada fé e razão” sem ceder ao “fatalismo”. Perante milhares de pessoas reunidas no Vaticano, para a recitação do Angelus, no dia 12, o Papa quis “sublinhar o valor da constância e da paciência, virtudes que faziam parte da bagagem normal dos nossos pais, mas que hoje são menos populares num mundo que exalta, sobretudo, a mudança e a capacidade de adaptar-se sempre a novas e diferentes situações”.

“Sem nada tirar a estes aspectos que são também qualidades do ser humano, o Advento chama-nos a potenciar aquela tenacidade interior, aquela resistência de espírito que nos permitem não desesperar na espera de um bem que tarda a chegar mas a esperá-lo, ou melhor, preparar a sua vinda com confiança activa”, afirmou.