Papa condena acção policial contra bispo na Bélgica

Bento XVI fala em acções «surpreendentes e deploráveis» durante buscas por causa de casos de pedofilia

Bento XVI condenou no domingo, 27, o que considerou como acções “surpreendentes e deploráveis” contra os Bispos da Bélgica, por parte das autoridades judiciárias e policiais do país. O Papa manifestou-se após as mais recentes buscas na sede e na Catedral da Arquidiocese de Malinas-Bruxelas, por alegada ocultação de casos de pedofilia. “Desejo expressar (…) a minha proximidade e solidariedade neste momento de tristeza, depois de, com algumas modalidades surpreendentes e deploráveis, terem sido feitas buscas, inclusive na catedral de Malinas e nas dependências do local onde o episcopado belga estava reunido em sessão plenária”, escreveu Bento XVI em carta dirigida aos bispos belgas.

O Papa recorda que durante esta reunião estavam a ser tratados “aspectos ligados a abusos contra menores da parte de membros do clero”.“Eu próprio repeti numerosas vezes que estes graves factos devem ser objecto da ordem civil e da ordem canónica, no respeito recíproco da especificidade e da autonomia de cada um”, prossegue.

Na passada Quinta-feira, o Vaticano protestara junto do embaixador belga contra a profanação dos sepulcros de dois Cardeais, Jozef-Ernest Van Roey e Léon-Joseph Suenens, durante investigações policiais sobre a pedofilia na Igreja Católica na Bélgica.

Os bispos católicos da Bélgica encontravam-se na sede da Arquidiocese, para a reunião mensal da Conferência Episcopal, tendo ficado impedidos de sair do edifício durante nove horas. Segundo o comunicado do episcopado belga, “todos os documentos e telemóveis foram confiscados”. Todos os presentes foram interrogados, tendo sido levados pela polícia os documentos da comissão para o tratamento dos abusos sexuais que foi instituída pela Igreja Católica.

O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, classificou a acção da justiça belga como “um sequestro, um facto inaudito e grave”. “Não há precedentes, nem mesmo nos regimes comunistas”, disse o Cardeal Bertone, antes de reafirmar a “condenação da pedofilia”.

Ag. Ecclesia/J.P.F.