Papa despede-se de Malta com mensagens para a Europa

Bento XVI faz viagem-relâmpago a um dos países mais católicos da UE e deixa vários gestos simbólicos

Bento XVI concluiu na tarde de domingo, 18 de Abril, a sua viagem a Malta, repetindo um apelo para que o povo deste país tenha orgulho nas suas raízes cristãs. Esta foi, aliás, uma das mensagens centrais da visita a uma das nações mais católicas da União Europeia (UE).

O Papa pediu que os fiéis conservem a sua “herança religiosa e cultural”, não deixando que a mesma “seja comprometida pelo indeferentismo ou o relativismo”. Tendo presente a posição geográfica de Malta, Bento XVI deixou alertas para este país que se alargam a todo o Velho Continente, recordando os muitos migrantes que chegam à sua costa “para fugir de situações de violência e perseguição” ou em “busca de melhores condições de vida”.

Numa visita que durou pouco mais de 24 horas, o Papa falou por diversas vezes da promoção dos valores cristãos, em especial nos países da União Europeia. Por várias vezes foi recordado que a justificação para esta visita eram os 1950 anos do naufrágio que levou São Paulo à costa de Malta. Bento XVI disse acreditar que o episódio, relatado no livro bíblico dos Actos dos Apóstolos, não resultou de um incidente imprevisto mas da “providência divina”. Durante o voo para a ilha mediterrânica, o Papa afirmara: “Também nós podemos pensar que os naufrágios da vida fazem parte do projecto de Deus para nós e podem ser úteis para novos inícios na nossa vida”.

O papa chorou

Bento XVI encontrou-se também com um grupo de pessoas que tinham sido vítimas de abuso sexual por parte de membros do clero, manifestando a sua “vergonha e pesar” perante estes factos. Um dos participantes relatou à agência noticiosa AFP que o Papa tinha “lágrimas nos olhos”. “Chorou connosco. (…) Fiquei impressionado com a humildade do Papa. Ele carregou sobre si próprio o embaraço causado por outros, é muito corajoso”, disse Lawrence Grech.

O encontro deu-se na Nunciatura Apostólica. Tal como acontecera em 2008, nos EUA e na Austrália, a reunião não estava prevista no programa oficial da viagem papal.

Multidão em festa

Ao longo dos vários pontos da visita, Bento XVI foi constantemente acompanhado por uma multidão em festa. Tanto na Missa celebrada em Floriana como no encontro com os jovens, em La Valetta, o Papa pediu que os católicos coloquem Deus como sua prioridade, mesmo perante as “tentações” da tecnologia ou de correntes de pensamento contrárias à fé cristã.

Cerca de 100 mil pessoas saudaram o pontífice nas ruas, em suas deslocações com o papa-móvel – algo que superou inclusive as expectativas das autoridades locais.

Noutro momento não programado, à saída do palácio presidencial, o Papa saudou seis crianças doentes terminais, abençoando-as pessoalmente.

Esta foi a décima quarta viagem de Bento XVI ao estrangeiro, seguindo-se a visita a Portugal, de 11 a 14 de Maio.

Ecclesia / CV