Papa faz balanço de 2008 e recusa estatuto de “estrela”

Bento XVI lembra Jornadas Mundiais da Juventude e Sínodo dos Bispos, falando de um ano «cheio de acontecimentos»

Bento XVI apresentou esta segunda-feira, 22, um balanço do ano de 2008, que considerou ter sido “rico de olhares retrospectivos sobre datas incisivas da história recente da Igreja”, bem como de “acontecimentos que trouxeram consigo sinais de orientação para o nosso caminho rumo ao futuro”.

O Papa cumpriu a tradição natalícia de receber no Vaticano os membros da Cúria Romana, para troca de cumprimentos.

No seu discurso, um dos mais importantes de cada ano, Bento XVI manifestou a sua satisfação pelo decorrer dos acontecimentos de 2008, dando uma importância particular às Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) de Sidney, no mês de Julho, e ao Sínodo dos Bispos que decorreu em Outubro.

Sobre a grande celebração juvenil que decorreu na Austrália, o Papa disse que “várias análises em voga tendem a considerar estas jornadas como uma variante da moderna cultura juvenil, uma espécie de festival rock modificado em sentido eclesial, com o Papa como «star». Com ou sem fé, estes festivais seriam sempre a mesma coisa, no fundo, e assim se pensa ser possível remover a questão sobre Deus”.

Bento XVI admitiu que há mesmo vozes católicas que vêm nestas iniciativas um “grande espectáculo, belo, mas de pouco significado para a questão sobre a fé e a presença do Evangelho no nosso tempo”, mas acrescentou: “Na Austrália, não foi por acaso que a longa Via-Sacra ao longo da cidade se tornou o evento culminante das Jornadas. Ela resumia mais uma vez tudo o que aconteceu nos anos precedentes e indicou Aquele que reúne todos à sua volta, o Deus que nos ama até à cruz. Aqui também o Papa não é a «star» em volta da qual gira tudo”.

A estrela destas JMJ foi, para Bento XVI, o próprio Cristo e o seu Espírito, uma força criadora que gera comunhão, “amizades que encorajam um estilo de vida diferente”.

Sínodo: a Bíblia não pode ficar no passado

A profunda ligação entre a Bíblia e o Espírito Santo foi, segundo o Papa, um dos grandes méritos do Sínodo dos Bispos que, em Outubro passado, reuniu no Vaticano 253 padres sinodais dos cinco Continentes.

“Percebemos que os escritos bíblicos foram redigidos em épocas determinadas e, portanto, constituem neste sentido um livro proveniente do passado, antes de mais. No entanto, vimos que a sua mensagem não ficou no passado nem pode ser fechada nele: Deus, no fundo, fala sempre ao presente”, explicou Bento XVI.

O Papa considerou como “precioso” o discurso inédito de um Rabino, na aula sinodal, sobre as Escrituras de Israel, bem como a presença do Patriarca Ecuménico de Constantinopla (Ortodoxo), Bartolomeu I.

“Esperemos agora que as experiências e as aquisições do Sínodo tenham uma influência eficaz na vida da Igreja: na relação pessoal com as Sagradas Escrituras, na sua interpretação na Liturgia e na catequese, bem como na pesquisa científica, para que a Bíblia não fique como uma Palavra do passado, mas a sua vitalidade e actualidade sejam lidas e discutidas na vastidão das dimensões dos seus significados”, concluiu.