Bento XVI quer que os católicos de todo o mundo assumam “a sua adesão ao Evangelho”, anunciando publicamente a fé num momento de “profunda mudança” para a humanidade.
“Sucede não poucas vezes que os cristãos sintem maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até por ser negado”, assinala, na carta apostólica «A porta da fé», publicada na segunda-feira pelo Vaticano para convocar o “ano da fé” (a carta pode ser lida na íntegra, em português, em www.vatican.va).
“Pareceu-me que fazer coincidir o início do ano da fé com o cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II poderia ser uma ocasião propícia para compreender que os textos deixados em herança pelos padres conciliares”, justifica Bento XVI.
Na carta apostólica destaca-se que a acção da Igreja deve ter em conta as “muitas pessoas que, embora não reconhecendo em si mesmas o dom da fé, vivem todavia uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo”. “Nos nossos dias mais do que no passado, a fé vê-se sujeita a uma série de interrogações, que provêm de uma diversa mentalidade que, particularmente hoje, reduz o âmbito das certezas racionais ao das conquistas científicas e tecnológicas”, aponta ainda.
A iniciativa de Bento XVI quer promover um “esforço generalizado em prol da redescoberta e do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, que têm no Catecismo da Igreja Católica a sua síntese sistemática e orgânica”.
