Livro Manual de Escrita Criativa
João de Mancelos
Edições Colibri
70 páginas
Conhece os romances “O Cozinheiro Marítimo”, “Tudo está bem quando tudo termina bem” e “Dois e dois são quatro”? Esperemos que não, pois não existem. Mas se falarmos em “A Ilha do Tesouro”, de R.L. Stevenson, “Guerra e Paz”, de Tolstoi, e “Tempos Difíceis”, de Charles Dickens, já deve ter ouvido falar e pode mesmo ter lido algum deles, pois são clássicos da literatura. Acontece que os três primeiros títulos de romances, inexistentes, estavam para ser os nomes dos três clássicos, respetivamente. A informação vem no “Manual de Escrita Criativa”, quando se fala da importância de um bom título.
Este livro, do autor aveirense João de Mancelos, reúne 21 artigos anteriormente publicados na revista “Os meus livros” mais seis inéditos, de “Como seduzir uma musa” (pág. 11) a “Como despir-se em público (pág. 65), passando por “Os dez mandamentos do escritor” (pág. 27) e “A biblioteca mais perigosa do mundo” (pág. 53). Os títulos dos textos cumprem o que ensinam: espicaçam para a leitura. E os artigos não desiludem. Pelo contrário, recompensam. Quem gosta e quer escrever, mas também quem simplesmente gosta de ler, tem aqui um livrinho (70 páginas) cheio de dicas e informações, como as do início deste texto. Ou esta: Toni Morrison, afro-americana Nobel da Literatura em 1993, para dar nome às personagens de “A Canção de Salomão”, seguiu o método muito a afro-americano de abrir a Bíblia ao acaso e apontar para um versículo. Foi assim que uma personagem, uma mulher negra, ficou com o nome de Pilatos.
J.P.F.
