50 anos de histórias, muitos actores, muitos palcos, muitas peças… O CETA celebra as “bodas de ouro” entre as luzes da ribalta e um palco à beira-ria. Assim se faz teatro na cidade
Foi criado no dia 3 de Julho de 1959 por um grupo de jovens um grupo de jovens pertencente ao corpo redactorial do VAE VICTIS – suplemento literário juvenil de “O Litoral”. O seu primeiro espectáculo era composto por «O Urso», de Anton Tcheckov, «O Dia Seguinte», de Luiz Francisco Rebelo, e um entreacto de poesia de Carlos Morais. Foi censurado pela PIDE por conter um texto de Mário Sacramento, ilustre aveirense. Assim se iniciava a história de vida do Círculo Experimental de Teatro de Aveiro, conhecido como CETA.
António Morais, presidente da direcção do CETA desde Novembro de 2008, explica que “qualquer pessoa pode fazer teatro no CETA, desde que seja escolhido pelo encenador. Há pessoas a virem ter connosco e dizem que gostavam de fazer teatro, há outras que vêm já indicadas ou por alguns contactos informais.”
Esta associação é composta por 40 elementos, entre directores e actores, mais os cerca de 400 sócios. Quase todos os directores são também actores ou estão ligados de alguma forma ao teatro. “Há uma mistura de funções porque o teatro amador tem esta grande vantagem: toda a gente sabe um pouco de tudo…”, conta António Morais.
O CETA desde cedo que se deparou com várias dificuldades e só na década de 70 começou a ensaiar no local onde hoje é a sua sede, o chamado teatro de bolso. Era um antigo armazém de sal, situado em pleno Canal de São Roque, que precisou de obras para se tornar o que é hoje. Com espaços reduzidos entre palco, auditório para cerca de 60 pessoas, camarim, sala de luz e som e um pequeno bar é a nova sede do CETA. “Ainda não é formalmente nosso mas a Câmara Municipal de Aveiro adquiriu este espaço para oferecer meritoriamente ao CETA”, esclarece o presidente da direcção.
50 anos são espelho de muita experiência e isso verifica-se quando se fala no público que acompanha o trabalho do CETA e que se distingue pela fidelização. Uma das principais razões para assistirem às peças, é “vamos porque é no CETA” – ouve-se dizer. No entanto, esta associação não descuida a criação e captação de novos públicos e actores. António Morais justifica: “Neste momento estamos com uma nova geração de actores, porque o CETA é isso mesmo, saem uns, entram outros… é uma grande versatilidade”.
Como na maioria das associações, o CETA vive da carolice e voluntariado de todos os colaboradores. O CETA teve durante algum tempo verbas atrasadas e agora foi “avisado de que o protocolo com a autarquia estava a ser avaliado. “Em tempos de crise, acreditamos que talvez diminua a quantia monetária que nos é atribuída”, conta António Morais.
Como comemoração dos 50 anos de fundação do CETA há uma exposição itinerante que passará para a loja do cidadão, depois de ter estado no IPAM, mostrando fotografias, cartazes e alguns adereços de peças importantes desta associação. Em cena, até fim de Maio, estão as duas primeiras peças levadas a palco pelo CETA, «O Urso», de Anton Tcheckov, e «O Dia Seguinte», de Luiz Francisco Rebelo. Para o Verão o CETA está a preparar alguns espectáculos de rua, continuando a comemoração do seu aniversário e aliando-se aos 250 anos da cidade de Aveiro.
Sónia Neves
