Apesar de ser uma terra relativamente pequena, esta de Paradela do Vouga, a sua gente aceitou o desafio de levar à cena a peça sobre a Paixão de Cristo, segundo o relato do evangelista Marcos. Já se tinha feito uma experiência similar, se bem que com menor arrojo, com a representação e encenação da “conversão de S. Paulo” e uma “ entrevista” alusiva à sua vida pessoal e de Apóstolo das gentes. As coisas então correram bem e abriram o apetite para outras iniciativas.
Tratando-se de um drama bem conhecido e interiorizado na fé e sentimentos do povo, não só daqui, mas do país, a passagem do texto para a representação, sendo de fácil leitura, requer no entanto, meios e o envolvimento de um leque considerável de actores para desempenhar um número considerável de papéis. Esse seria o nosso maior problema: o da massa crítica.
Tudo isso foi conseguido, graças à carolice e a um são amadorismo dos jovens e adultos (de todas as idades da paróquia) que quiseram interpretar em cenas vivas (por vezes com muito realismo, diga-se!), o auto de fé mais dramático da História Bíblica.
E aquilo que parecia um sonho, concretizou-se no Domingo IV (domingo “laetare” – domingo da alegria) da Quaresma, com início às 16 horas. Começou com a cena da “Última Ceia”, no interior da ampla Igreja, na zona do altar e presbitério e desenvolveu-se, em toda a sequência da narrativa: Oração no Getsémani, Comparência de Jesus no Sinédrio, Julgamento no Palácio de Pilatos com a Condenação à Morte de Cristo e Libertação de Barrabás, Caminhada para o Calvário e Crucificação, no espaço exterior, bem adequado a dramatizações do género.
O desempenho dos actores, ensaiados pela Carla Lacerda, foi de uma qualidade, dedicação e concentração notáveis, o que causou a admiração de muita gente local e forasteiros que quiseram presenciar a representação do auto, cujo texto foi adaptado a partir do Evangelho, pelo Diácono António Poças.
Ficou a sensação de que esta é uma das formas de levar a mensagem evangélica a lugares e situações onde outros meios possivelmente não chegam. A linguagem dos sinais continua a cativar, hoje como sempre. Veio gente, não apenas para ver, como para assumir papéis, que não costuma “andar muito por aquela casa” (…). Modos de Deus falar com as pessoas e de as tocar, quem sabe!
O grupo pretende repetir a representação na tarde de Sexta-Feira Santa, dia 10 de Abril, por volta das 16h30 (a confirmar), a pedido de muitas pessoas que não tiveram possibilidade de estar presentes.
Esta é também uma forma da paróquia se associar à visita pastoral do nosso bispo que vem percorrendo as paróquias do arciprestado e estará em Paradela na semana de 4 a 10 de Maio, próximo.
Pinceladas de Deus na paisagem dos homens!
António Poças
