Uma pedrada por semana O Papa chamou a atenção do mundo para os paraísos fiscais, “off-shores” lhes chamam os eruditos, da finança, que tanto transmitem a crise económica e financeira que afecta o nosso meio mundo, como provocam o seu desenvolvimento numa imparável espiral.
Os estados sabem de tudo, fecham os olhos e alguns também lá dão uns saltitos com o dinheiro dos contribuintes, que só é sujo de suor… A coisa é tentadora, e tudo o que é fugir ao fisco e acumular, por isso, dinheiro, parece que lavado, e riqueza fácil, faz cair na tentação os mais “impolutos e sérios”…
Acontece, porém, que os paraísos fáceis arrastam consigo infernos devastadores. Os grandes, de vez em quando, caem na rede. Sem isso não lhes falta maneira de fugir e de justificar. Mas, quando a coisa deu mesmo para o torto, paciência. Normalmente já está muito dinheiro arrecadado e valeu a pena o risco. Se é que este risco existe, com os olhos fechados de tanta gente que os devia ter bem abertos…
Os pobres não frequentam esses paraísos. São muito longe para se poder ir lá espreitar e pobre não entra em casa de muito rico. Por isso, têm de aguentar o inferno de pagar sempre os seus impostos, sem verem o resultado prático de muitos deles.
Assim vai o mundo. Passadas os casos que deram escândalo e os crimes fiscais reconhecidos, volta tudo ao mesmo. Paraísos para uns tantos mais ricos, que voltam a contar milhões. Infernos para o povo, que já nem sabe o que é uma nova crise, porque a sua, ainda que de falta de tostões, é permanente e contínua.
António Marcelino
