A Paróquia da Glória vai entrar num ciclo de grandes obras: reparações no corpo principal da Sé; modificações nos espaços adjacentes; novo espaço celebrativo em Santiago e, a médio prazo, nova igreja. O Correio do Vouga ouviu o Pe Manuel João sobre estas obras. Para sábado, 31 de Março, está marcada uma Assembleia paroquial. Será às 15h, no Salão das Florinhas do Vouga. O pároco da Glória quer ouvir as opiniões dos seus paroquianos.
CV – Em que vão consistir as obras na Sé?
Padre Manuel João – A obra mais visível acontece no edifício da Sé, que apresenta algumas deficiências graves ao nível das coberturas. Por causa disso, degrada-se o espaço interior. Entra água quando chove, entram humidades, há várias carências graves.
Numa primeira fase, queremos refazer os telhados, renovar as paredes exteriores e interiores, ampliar a sacristia e, ainda no espaço da Sé, criar uma sala onde serão expostas peças que são propriedade da paróquia.
Será uma sala-museu?
Não é propriamente um espaço museológico, porque as salas poderão ser utilizadas para encontros e reuniões. A Sé tem objectos de prata – cruzes, candelabros, tocheiros – , e paramentaria diversa. Não sendo de valor patrimonial muito elevado, tem em grande quantidade. Mais que não seja, esse material devia estar acomodado de forma adequada, para melhor preservação.
E quanto à sacristia?
O projecto da sacristia está a ser feito por uma arquitecta da câmara. O que se pretende é, na continuidade da sacristia actual (do lado esquerdo, para quem entra na Sé) expandir para mais duas salas que ficam por baixo das salas da catequese. Desaparece uma sala de arrumos, surgem duas casas de banho, altera-se a escada. Ficaremos com um espaço maior que poderá servir com mais dignidade e privacidade para as celebrações com mais padres.
Os estudos estão todos feitos?
Há um caminho iniciado. A Câmara Municipal de Aveiro (CMA) está a apoiar-nos desde há anos. O caderno de encargos relativo à nave central está praticamente concluído. Mas ainda temos uma grande incerteza. Ainda não fomos ao telhado. Espero que ainda esta semana [semana passada] a CMA decida a implantação de uma plataforma fixa para aceder ao telhado em segurança, para que os engenheiros verifiquem as condições do madeiramento interior e do próprio tecto da igreja. Suspeita-se que o tecto possa estar suspenso do madeiramento, pelo que pode haver necessidade de retirar o tecto – o que não está incluído neste caderno de encargos.
É possível avançar números quanto aos custos?
O orçamento, ainda precário, ronda os 400 mil euros: telhados, pinturas e reboco, sem incluir a intervenção na sacristia e na sala. Esse projecto ainda não está concluído.
Quando prevê que comecem as obras?
Imaginamos que dentro de dois ou três meses a obra esteja a funcionar em pleno, para que nos meses de Verão seja possível resolver o problema do telhado, ficando para depois a parte das paredes e as pinturas. Prevemos um tempo de obra de seis meses.
A paróquia está preparada para suportá-las financeiramente?
Ao longo destes anos, sempre se trabalhou numa linha de angariar fundos. Havia um ofertório mensal (primeiro domingo) para esse fim. Temos algum dinheiro em banco. Penso que irá aos 40 ou 50 por cento do orçamento actual. Cabe-nos agora conseguir completar a outra parte. No dia 31, na assembleia paroquial, vamos procurar com as pessoas algumas maneiras de angariar fundos. Algumas já foram testadas com êxito.
Quais?
No passado, houve pessoas que emprestaram dinheiro à paróquia, a nível pessoal, sem juros. Depois iam recebendo através de um sorteio, creio que mensal. E houve quem acabasse por prescindir da devolução dos empréstimos. Foi uma muito boa ajuda. Suponho que na altura da construção da residência paroquial isso aconteceu.
Da parte da CMA sugeriram-nos programas de equipamentos ao quais pudéssemos concorrer. Verificadas as situações, para os valores em causa, era necessário um concurso público, e demoraria 2 ou 3 anos até ser aprovado, não podendo a obra começar antes da aprovação. Ora, nós não podemos esperar tanto tempo. Entretanto, estamos a ver candidaturas a subprogramas, reduzindo a obra a parcelas simples.
Durante as obras, continua a haver celebrações na Sé?
Estamos a prever que sim. Os engenheiros dizem-nos que, com as protecções convenientes, durante a intervenção no telhado, podemos usar a Sé normalmente. A intervenção no interior dificultará alguma coisa, mas trabalharão com colunas laterais e plataformas superiores, pelo que a nave ficará livre, ainda que com algumas restrições debaixo dos andaimes. Na zona da nave nova ou na zona do altar, pode haver mais dificuldade, mas dizem-nos que haverá espaço para a celebração.
Mas há alternativas…
Penso que não será necessário para o domingo. Nas missas à semana, até para dar mais liberdade aos trabalhadores, temos a igreja das Carmelitas. O Salão das Florinhas é outra alternativa.
Apesar de tudo, estas obras não excluem intervenções
posteriores…
Mais para a frente, pensamentos em recuperar a talha, refazer o pavimento e verificar questões de arquitectura ao nível da nave nova. Na semana da saída do jornal, vamos a Coimbra, eu, o presidente da CMA e duas pessoas do Gabinete Financeiro, conversar com o IPPAR a fim de obtermos apoio técnico e financiamento para essa segunda fase.
As obras da Sé, bem como as de Santiago, vão estar em foco na assembleia do próximo sábado…
Os projectos vão ser apresentados, para que toda a paróquia se sinta envolvida. Teremos connosco o eng. Adelino, da CMA, para responder a questões mais técnicas. Somos uma paróquia única, não várias. Sendo uma paróquia de cidade – e não podendo isto ser desculpa –, sinto que as pessoas estão um bocadinho alheias a isto. Vamos apresentar os projectos, ouvir as sugestões das pessoas, aceitar o empenhamento e as ideias para angariar fundos…
Tem expectativas quanto à participação dos seus paroquianos na assembleia?
Só pelo convite geral, acredito não venha muita gente. Espero é que os que estão mais envolvidos nisto – o conselho económico e as pessoas que mais sensibilizadas – convidem outras pessoas. É uma assembleia para paroquianos, mas todos têm lugar: Pessoas da sociedade aveirense que queriam ajudar e dar a sua opinião são bem vindas, tal como associações culturais que possam oferecer um espectáculo para as obras da Sé.
Bairro de Santiago terá em breve novo espaço celebrativo
A Casa de Acolhimento Paroquial, onde desde há duas décadas se celebra a Eucaristia, ao sábado, será substituída até ao final de 2007 por um “espaço provisório” com mais lugares e outras funcionalidades.
CV – Não será, ainda, a Igreja de Santiago, mas sim um “espaço provisório”. Porquê?
Padre Manuel João – O nome “espaço provisório” pode não ser muito simpático, mas não gostava que criássemos raízes ali. “Temos um espaço melhorzinho, com dignidade, já chega” – espero que não pensemos desse modo. Aliás, o compromisso da permuta do terreno é para a construção da igreja.
Como vai ser essa igreja?
Há três perspectivas: ou uma igreja para resolver os problemas do Bairro, com 300 lugres sentados; ou para resolver os problemas dos bairros adjacentes, com mais funcionalidades…
… Uma nova paróquia?
Não. Isso nunca! Está fora de hipótese. Não estamos em tempo de criar paróquias – não são palavras minhas, são palavras do Sr. Bispo. Estamos em tempo de juntar pessoas e congregar pessoas na mesma comunidade.
E a terceira hipótese?
A terceira hipótese é a criação de um espaço amplo para grandes celebrações. Há celebrações em que a Sé, que é a maior igreja da cidade, não comporta todas as pessoas. Temos que pensar tudo isso. Nesse sentido é que digo que é um espaço provisório. O futuro tem de ser bem pensado, para que não percamos a oportunidade. Neste momento, o que temos são os 3000 metros quadrados, entre os Bombeiros Velhos e o Lar das Irmãs Dominicanas (contrapartida da cedência de terrenos da Diocese na zona do Seminário de Aveiro).
Entretanto, Santiago terá um novo espaço…
Sim, naquilo que foi uma pizzaria. Vamos deitar abaixo uma parede e o balcão, erguer uma parede na parte que antes era envidraçada e modificar a entrada.
Quando começam as obras?
Muito em breve. Em Novembro passado reunimos com as pessoas e começamos por limpar o espaço degradado. Todos os vidros tinham sido partidos. Vendemos o alumínio, que rendeu 50 euros, e já celebramos lá em Novembro o aniversário da primeira Eucaristia no Bairro. Entretanto, um empreiteiro prontificou-se a fazer as demolições. Depois são construídas as paredes exteriores. Vamos faseando, de modo a que as pessoas se empenhem nisso.
O trabalho será quase todo voluntário…
Sim. Há uma aposta no trabalho voluntário, para construir comunidade e dar às pessoas confiança. Desejamos que venham e se juntem. Todos podem colabo-rar, nem que seja só com um tijolo. Aliás, iremos fazer uma “campanha do tijolo”. Vamos pedir às pessoas que dêem dinheiro para um tijolo ou um metro de tijolo. Esse projecto já foi apresentado às pessoas que estavam na Eucaristia. Abraçaram a ideia. O importante é que todos digam: “Eu dei um bocadinho para esta igreja”, que se responsabilizem pelo espaço e cuidem dele. Há uma comissão que ainda não foi oficialmente constituída, mas sê-lo-á em breve.
Há dinheiro para esta obra?
Isto será feito por administração directa. Naturalmente, a paróquia irá suprindo alguma necessidade. Para já, além do dinheiro do alumínio, uma família ofereceu o subsídio de Natal, 730 euros, um grupo cantou os Reis, e assumimos que os ofertórios das missas ao sábado, excepto o da participação na paróquia, são para esse fim. Os ofertórios dispararam 200%. Neste momento teremos uns 1800 euros, só com a participação das pessoas do Bairro.
